Curso realizado, por Irene Rios, nos dias 10 e 11 de março de 2016, em Balneário Camboriú/SC.
Depoimentos
Gostei muito da troca de experiências, da oportunidade de renovar nossa energia e ânimo para dar continuidade ao trabalho já desenvolvido em nosso município, do método da cursista Irene em aplicar o curso. Foi maravilhoso! Parabéns! (Serli
C.V. Olivetti - União da Vitória/PR)
Bastante
descontraído. A absorção dos variados depoimentos dos grupos
participantes é muito gratificante. Importante, aprendi muito e levo
para aplicar no Programa de Governo na Operação lei Seca, no Rio de
Janeiro. (Francisco
Edson Benites Granado - Lula - Rio de Janeiro/RJ)
A
metodologia utilizada, com dinâmicas e participações, compartilhando o
trabalho de cada um, fez com que a memorização acontecesse de forma mais
prática e o conteúdo do curso fosse gravado com mais facilidade. As
dicas dadas para palestras e forma de trabalhar com cada grupo, também
foram muito ricas. O curso foi ótimo, acrescentando muito para quem
trabalha na área e para quem pretende ingressar nela. (Carolina Durli - Bituruna/PR)
Gostei muito do curso, da didática e dos temas abordados. Acho que podia ter sido 3 dias, pois o assunto tem mais conteúdos a serem abordados. (Kenya - Brasília/DF)
Excelente, formidável! Com clareza nas informações e assuntos dados. (Kasteen
Carlos A. Silva - Natal/RN)
Foi muito produtiva a troca de experiências, aprender coisas novas e poder passar estes dois dias com os colegas educadores foi excelente. obrigada! Os materiais entregues foram muito positivos. (Karine - Balneário Camboriú/SC)
Fiquei muito satisfeita, superou minhas expectativas. Parabéns professora pela oportunidade de aprender ainda mais e saber que estamos no caminho certo, que com o passar do tempo, teremos seres humanos mais conscientes. (Eliane Mello - Camboriú/SC)
Muito válido para o meu currículo. (Luzia Fernandes - Natal/RN)
Foi muito gratificante, atendeu todas as minhas expectativas. (Amanda Carneiro - Itajaí/SC)
Gostei muito, adorei as músicas, as histórias e entrosamento com o grupo. Agradeço a oportunidade de estar aqui esses dois dias. (Vilmarise - Porto União/SC)
Pesquisa da USP, que uniu comunicação
e neurociência, mostrou que campanhas de cunho negativo são mais
marcantes, mas geram a mesma intenção de comportamento que as positivas;
resultado indica novo caminho para publicidade.
Um estudo realizado na Escola de
Comunicações e Artes da USP mostrou que campanhas de segurança no
trânsito com abordagem positiva, apesar de raras, são tão eficazes no
incentivo ao cuidado no trânsito quanto as que apresentam abordagem
negativa, caracterizadas por imagens de acidentes e pessoas machucadas.
De acordo com o autor da pesquisa, Diogo Rógora Kawano, isso mostra que a
busca por chocar o público não se justifica, e incentiva a elaboração
de campanhas que apresentem os ganhos ao não se beber e dirigir, por
exemplo. Além de também se mostrarem eficazes, elas representam uma nova
possibilidade na busca pela redução de acidentes. Para chegar a tais
conclusões, o pesquisador uniu métodos da neurociência e da comunicação.
Kawano realizou dois experimentos. O
primeiro foi um questionário on-line, aplicado a 108 jovens com idade
entre 18 e 25 anos (grupo mais vulnerável a acidentes). Os voluntários
foram divididos em dois grupos iguais, e cada grupo foi confrontado com
um tipo de abordagem (positiva ou negativa). Depois, tiveram de
responder perguntas sobre a maneira como perceberam o anúncio (se foi
impactante, emocional, dramático) e qual a intenção de comportamento
gerada por ele. Ao analisar os resultados, o pesquisador percebeu que de
fato as campanhas negativas são mais impactantes, mas sua eficácia –
ou seja, a capacidade de gerar a intenção de comportamento seguro do
público – não é superior àquelas de abordagem positiva. De 54 pessoas
que viram campanhas positivas, 30 declararam que muito provavelmente
evitariam beber antes de dirigir após o contato com o anúncio. No caso
das campanhas negativas, o número foi de 33.
Na segunda etapa da pesquisa, Kawano
utilizou a neurociência para avaliar o impacto neurofisiológico dessas
campanhas. E os resultados corroboraram o que foi encontrado no primeiro
experimento. Dessa vez, contou com 24 voluntários. Eles também foram
divididos em dois grupos iguais e confrontados com campanhas de
abordagem positiva ou negativa. A diferença é que, enquanto observavam
os anúncios, eles tiveram suas ondas cerebrais monitoradas por um
eletroencefalograma (EEG). O pesquisador avaliou especificamente duas
ondas: alfa e teta, ambas relacionadas a emoções positivas e negativas.
Os voluntários também tiveram de
responder um questionário sobre o que acharam da campanha e se ela gerou
a intenção de tomar mais cuidado no trânsito. Mais uma vez, os
resultados mostraram que as campanhas negativas são bem mais
impactantes, gerando emoções negativas (o que pôde ser detectado pelo
EEG), mas não mais eficazes. De 12 pessoas que observaram campanhas
negativas, cinco declararam que “muito provavelmente” evitariam beber e
dirigir, mesmo número encontrado no caso das campanhas positivas. “Isso
mostra que as agências seguem uma tendência de adotar abordagens
negativas, mas sem questionar se elas são mesmo mais eficazes”, diz o
pesquisador.
Os resultados da pesquisa, porém,
mostram que esse cenário poderia ser diferente, e indica uma nova
possibilidade para a publicidade. “Hoje, só a Holanda tem o costume de
adotar o uso do humor, por exemplo”, comenta Kawano, ao questionar os
motivos que levam agências ao redor do mundo a buscar sempre causar
choque e aversão no público.
Neurociência e comunicação
A pesquisa ainda teve outros eixos, como
o confronto entre aquilo que foi declarado pelos voluntários com o que
pôde ser observado na atividade cortical de cada um deles. Apesar de
haver diversas maneiras de analisar esses dados, Kawano chegou a alguns
resultados: em 97,7% dos casos não houve correlação esperada entre
aquilo que foi respondido e a resposta neurofisiológica. Em 11,4%, as
pessoas responderam ter sentido exatamente o oposto daquilo que pôde ser
detectado pelo EEG. Por exemplo, disseram que uma campanha não foi
impactante, quando a atividade cortical mostrou o contrário.
Segundo o pesquisador, esses resultados
mostram que o EEG realmente traz novas informações que não poderiam ser
fornecidas pelos questionários, já que as pessoas têm dificuldade em
explicitar suas emoções. Por isso, Kawano defende que pesquisas que
busquem avaliar emoções usem métodos neurocientíficos. Mas, para ele,
também não se pode encarar a neurociência como "a solução de todos os
problemas", pois ela também apresenta limitadores e não se aplica a
todas as pesquisas de mercado. "Por exemplo, no uso do eyetracking, que
rastreia os pontos que mais atraem o olhar das pessoas. Nem sempre
aquilo que você olha significa que você esteja prestando atenção. Um
exemplo claro é quando você olha as horas no celular e, logo em seguida,
percebe que não prestou atenção”, explica.
Por isso, ele acredita que seja
necessário aprofundar os estudos e investir na interdisciplinaridade,
unindo neurociência e comunicação. Assim, as pesquisas podem ser mais
completas e seus resultados ainda melhores. Ele também acredita ser
importante que esse tipo de estudo tenha o acompanhamento de um
profissional de comunicação, não sendo restrito aos pesquisadores da
ciência. “No Brasil e no mundo, hoje, a maior parte dessas pesquisas que
usam comunicação e neurociência, ainda é feita a partir das ciências
biológicas ou exatas. São pessoas que tem conhecimento aprofundado sobre
funcionamento do cérebro, mas falta o aporte teórico da comunicação”,
diz o pesquisador.
Centro de Comunicação e Ciências Cognitivas
Estudos como esse, que aliam comunicação
e neurociência, poderão ser aprofundados no Centro de Comunicação e
Ciências Cognitivas, laboratório que está se organizando no Departamento
de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) da Escola de
Comunicações e Artes (ECA/USP), sob a coordenação do professor Leandro
Batista, orientador de Kawano nessa pesquisa. O laboratório será o
primeiro da USP a aliar essas duas áreas e contará com equipamentos
próprios, como o eletroencefalograma e o eyetracking (rastreador de
olhar). Além disso, terá parceria de outras unidades da USP, como o
Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), o Instituto de Psicologia (IP), e
a colaboração de professores da área de antropologia.
Estudo aponta que 30% dos brasileiros que pedalam ganham entre um e dois salários mínimos. Na Baixada, vira até bazar
Wilson Aquino
Rio
- Cotonete, esponja, pregador, abridor de lata, de garrafa, faca de
cozinha ou tesoura. O freguês pode escolher à vontade, porque o mascate
Jorge Carlos do Nascimento oferece isso tudo no seu bazar de duas rodas,
que ainda comporta o Jeremias, de 1 ano e 8 meses, e a Sarah, de 5
anos. Ele não tem certeza da idade — é algo entre 55 e 60 anos — e sabe
muito menos quando se equilibrou pela primeira vez sobre uma bicicleta.
Mas tem plena consciência de que sem ela, não poderia arcar com as
despesas de casa. “Não posso carregar peso, não posso trabalhar em obra e
nem fazer limpeza, mas tenho que dar comida para eles e viver”, diz
apontando as crianças que ouvem tudo com atenção. “E a bicicleta ajuda”,
garante Nascimento, antes de dar uma tossida e seguir em frente.
O
Perfil do Ciclista brasileiro, pesquisa realizada pelo Observatório das
Metrópoles, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB/UFRJ) e pela
ONG Transporte Ativo, em parceria com outras nove organizações que
atuam na promoção da bicicleta, revela que 30% dos brasileiros que
pedalam ganham entre um e dois salários mínimos, como o Nascimento. “A
bicicleta é o meio de transporte dos trabalhadores”, crava sem medo de
errar o pesquisador Juciano Rodrigues, do Observatório das Metrópoles,
um dos coordenadores do estudo. E é mesmo. Basta olhar o estacionamento
das fábricas ou dar uma passadinha por um dos bicicletários que a
Supervia construiu ao lado de seis estações de trens da Baixada
Fluminense e Zona Oeste do Rio, para conferir a quantidade de
bicicletas.
Jorge Nascimento, com os filhos Sarah e Jeremias.
Ele percorre ruas de Engenheiro Pedreira, na Baixada Fluminense, com
sua bicicleta, vendendo os mais variados produtos
Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Além das características do ciclista, a pesquisa
quis saber o que motiva as pessoas a optar pela bicicleta. Questões como
rapidez e praticidade, saúde e custo despontam como as principais
razões. “É o meio de transporte completo, que ainda tem a vantagem de
não ser poluente e ocupar pouco espaço”, reforça o pesquisador
Rodrigues. A Pesquisa ouviu 5012 ciclistas, de dez cidades das
diferentes regiões brasileiras. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo,
34,8% dos ciclistas utiliza a bicicleta em combinação com outro modo de
transporte, seja para trabalhar, estudar ou fazer compras.
A
bicicleta é o principal meio de transporte utilizado pelos passageiros
da Baixada Fluminense e da Zona Oeste para chegar às estações de trem da
Região Metropolitana do estado. O ramal Japeri lidera o ranking, sendo
representado por 58% de passageiros”, segundo a Supervia. No entanto,
nem tudo é perfeito nesse universo. A pesquisa indica que para os
cariocas a insegurança e a falta de educação no trânsito são os
principais problema enfrentados pelos ciclistas na cidade. Eles reclamam
dos motoristas e pedestres que não respeitam a bicicleta. Entretanto,
quem está na rua vê que muitos ciclistas, apesar de vestirem o uniforme
do politicamente correto, também violam regras básicas, como trafegar no
sentido certo das ruas e parar nos sinais vermelhos. “O comportamento
do ciclista será objeto de outra pesquisa”, adianta Rodrigues, afirmando
que as batalhas no trânsito “são conflitos da sociedade,independente do
transporte que o cidadão utiliza”.
Os pesquisadores acreditam que
o estudo fornece subsídios para que gestores públicos e urbanistas,
entre outros envolvidos, formulem uma agenda mais precisa e robusta de
políticas públicas e ações de promoção do transporte cicloviário. Apesar
de todas as vantagens do uso da bicicleta na comparação com o carro, a
produção nacional caiu 10% no ano passando, chegando a 3,6 milhões. As
vendas também apresentaram queda de 10%, alcançando os 3,3 milhões de
unidades, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira dos
Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e
Similares (Abraciclo).
Existem várias teorias sobre a invenção
e o desenvolvimento da bicicleta como veículo de transporte. Diz-se até
que foi coisa do genial italiano Leonardo da Vinci, mas não há
comprovação científica de nada. O inventor não patenteou sua criação. Se
desconhecemos o passado, o futuro também se apresenta como um mistério,
já que a quantidade de bicicletas elétricas ou motorizadas que circulam
na cidade é um indício de que pedalar mesmo pode estar com os dias
contados. Além de novas tecnologias, as preocupações ambientais também
devem influenciar a produção de novas alternativas para as duas rodas.
Mas, afinal onde vai parar a bicicleta? Talvez na porta de sua casa, com
o Nascimento, a Sarah e o Jeremias oferecendo cotonete, esponja,
pregador, abridor de lata...
Dalila usa a bicicleta para chegar ao trabalho na Baixada
Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
ANDRÉ LUÍS GOMES, CASADO, 35
Chama
sua bicicleta, que tem um dos pedais quebrados, de ‘Caidinha’. “Levo 15
minutos até minha casa. Se fosse de ônibus seria uma hora. Só o tempo
que a gente espera a condução passar já desanima. Ando com ela todos os
dias. O Fusca fica na garagem”.
ANA CLÁUDIA E ÍRIA DE OLIVEIRA
Deixam suas bicicletas guardadas em uma estação da Baixada Fluminense e
pegam o trem para trabalhar. Ana aprendeu a andar há dois anos e
valoriza a atividade física. Íria pedala desde criança. Acha prazeroso,
mas teme a violência no trânsito.
DALILA MIRANDA, SECRETÁRIA
Mora
em Paracambi e vai de trem até Engenheiro Pedreira, onde a bicicleta
fica guardada. “Os ônibus demoram muito a passar. De bicicleta, levo 15
minutos até o escritório”, conta Dalila, que pedala de segunda a
sexta-feira e folga as pernas no fim de semana.
BICICLETÁRIOS DA SUPERVIA
Integrados
ao sistema de trens, oferecem quatro mil vagas para os ciclistas. No
espaço tem oficina para pequenos reparos, bombas de ar para calibragem
de pneus e bebedouros. Quem não é usuário do sistema ferroviário, paga
diária de R$1.
Números da pesquisa
- 42,9% optam pela rapidez e praticidade - 50% atribuem à infraestrutura cicloviária a motivação para pedalar - 88,01% usam a bicicleta para ir ao trabalho - 34,6% reclamam da falta de educação no trânsito