14 de fev. de 2015

Como escrever paródias relacionadas à educação para o trânsito


Por Irene Rios


A seguir, apresento instruções de como elaborar paródias para serem utilizadas como ferramentas educativas para o trânsito.

1) Escolha a música e o tema relacionado ao trânsito.

2) Separe cada verso em sílabas poéticas (escansão).

São chamadas de sílabas poéticas cada uma das sílabas que compõem os versos de uma poesia ou de uma letra de música. A contagem das sílabas de uma poesia é diferente da contagem das sílabas gramaticais. Ela ocorre auditivamente.

Para contarmos corretamente as sílabas poéticas, devemos seguir as seguintes regras:
a)      Não contar as sílabas poéticas que estão após a última sílaba tônica do verso.
b)      Fazer a contração da última vogal de uma palavra com a primeira vogal da palavra seguinte.

3.      Verifique se a última sílaba do verso é tônica ou átona.

Sílaba tônica - É a sílaba mais forte da palavra, aquela sobre a qual recai o acento tônico. Não confundir acento tônico com acento gráfico.
Sílaba átona - Eliminada a sílaba tônica de uma palavra, as restantes são átonas, ou seja, têm pronúncia branda.

4.      Faça a análise da distribuição das rimas.

Por exemplo:
Pela faixa da direita (A)
É proibido ultrapassar. (B)
Faça a manobra perfeita (A)
Para não se machucar. (B)

No exemplo acima, o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo rima com o quarto.

5.      A sua letra deve conter as mesmas características da letra original.

6.      A mensagem da letra deve ser clara e coerente.

A seguir, trabalharemos a primeira estrofe da letra da música Marcha Soldado.

MAR
CHA
SOL
DA
DO
1
2
3
4

Quatro sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é átona.

CA
BE
ÇA
DE
PA
PEL
1
2
3
4
5
6
Seis sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é tônica.

QUEM
NÃO
MAR
CHAR
DI
REI
TO
1
2
3
4
5
6

Seis sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é átona.

VAI
PRE
SO
NO
QUAR
TEL
1
2
3
4
5
6
Seis sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é tônica.

Quanto às rimas, o segundo verso rima com o quarto (papel com quartel).

A paródia “Ande Ciclista” foi desenvolvida mantendo as características da letra original. Veja:

AN
DE
CI
CLIS
TA
1
2
3
4

Quatro sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é átona.

A
TEN
TO/E
DE
VA
GAR
1
2
3
4
5
6
Seis sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é tônica.

É
PE
LA
CI
CLO
VI
A
1
2
3
4
5
6

Seis sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é átona.

QUE
DE
VES
PE
DA
LAR
1
2
3
4
5
6
Seis sílabas métricas, a última sílaba gramatical do verso é tônica.

Para manter o ritmo da letra original, é importante verificar também outras características como a repetição de palavras ou sílabas.

 A seguir, outro exemplo de atividades lúdicas que podemos desenvolver para o trânsito.

 “Atirei o pau no gato-to / Mas o gato-to / Não morreu–reu-reu...”

O final dos versos tem uma distinção especial, a repetição das sílabas. A paródia deve apresentar estas características.

“Hoje fui passear de carro, rro / Na cadeirinha, nha / Eu sentei, tei, tei...”

O desenvolvimento de atividades lúdicas é viável e fundamental no desenvolvimento de instrumentos didáticos de educação para o trânsito na infância.

RIOS, Irene. Guia Didático de Educação para o Trânsito. Editora Ilha Mágica. São José (SC), 2012.

Sono e direção veicular


por Dr. Dirceu Rodrigues Alves Jr.*


Nunca acreditamos em fatalidades, mas precisamos aceitar que as funções e alterações orgânicas são capazes de repercutir e nos levar a situações de alto risco.


O sono é uma necessidade básica do organismo. Deixar de dormir ou dormir poucas horas não recompõe o desgaste proporcionado pelo dia de atividades.

Dormimos um terço da vida. Exemplificando, um indivíduo com 75 anos dormiu 25 anos de sua vida. Caso isso não aconteça, teremos um processo de envelhecimento acelerado e redução dos anos de vida.

O sono apresenta duas fases, a REM e NÃO REM, o que significa respectivamente movimento rápido dos olhos e movimento lento. 25% do sono é REM, é a fase que sonhamos e lembramos os sonhos. 75% é NREM, quando não lembramos os sonhos.

Na fase REM o organismo libera hormônio do crescimento e ocorre recuperação mental. Na NREM acontece o equilíbrio do estado imunológico, hormonal e recomposição dos neurotransmissores.

Então podemos afirmar que o sono é uma necessidade primordial para termos uma boa qualidade de vida. Em média, são necessárias sete a oito horas de sono noturno. Observe estou falando em sono noturno. Durante o dia, uma série de fatores traz transtorno para uma boa higiene do sono. O calor, barulho, luminosidade, limpeza da casa, crianças brincando e outros fatos concorrem para alterar o ciclo do sono. O sono é interrompido a cada momento e até reduzido para quatro a cinco horas por dia. Nessas condições, o indivíduo retorna ao trabalho não recuperado por estar privado do sono, em consequência terá uma direção insegura porque terá a atenção, concentração, raciocínio, vigília, percepção, respostas motoras comprometidas.

É comum termos motoristas e motofretistas comprometidos com a segurança em função de excesso de horas trabalhadas e por estarem privados do sono.

O sono aparece a cada doze horas devido à produção de um hormônio (melatonina). Os picos maiores desse hormônio são entre duas e três horas da manhã e quatorze e quinze horas do dia.

O dormir mal reduz em 50% a concentração, produção e qualidade do que estamos a fazer.

Segundo dados estatísticos:
  • 56% têm microcochilos durante o trabalho 
  • 42% são privados do sono 
  • Entre as causas de acidentes: 
  • 42% são causados pelo sono 
  • 18% pela fadiga 
Após alimentação, os carboidratos estimulam também a liberação daquele hormônio e é por isso que percebemos torpor, sonolência pós alimentar.

Vários medicamentos podem levar a essa condição de torpor e sonolência, por isso, devemos ter muita cautela na automedicação.

Dormir bem exige:
  • quarto com no máximo dois leitos 
  • silêncio 
  • penumbra 
  • bem ventilado 
  • sem circulação de pessoas 

Conclusão:


Dormir oito horas por noite, ter um bom café da manhã e em seguida assumir a direção veicular é um procedimento que trará mais segurança e melhor qualidade de vida no trabalho.

*Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior 
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET 

Fonte:

29 de jan. de 2015

Comportamentos de risco podem tornar o trânsito a 5ª causa de morte

Mariana Czerwonka
Portal do Trânsito


Comportamento no trânsito
Investimentos em educação, infraestrutura e legislação são apontados como essenciais para evitar a situação

Alguns comportamentos podem levar o trânsito a se tornar a 5ª causa de morte no mundo até 2030. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,24 milhão de pessoas morrem por ano em decorrência de acidentes de trânsito. As vítimas mais vulneráveis são crianças, pedestre, ciclistas e idosos. No Brasil, em 2013 foram 54.767 mortes, segundo levantamento da Seguradora Líder - DPVAT. Entre os principais fatores de risco estão excesso de velocidade, bebida e direção, falta do uso de capacete, do cinto de segurança e de sistema de retenção infantil, além de comportamentos de risco, como ultrapassagens proibidas, disputar rachas nas vias, entre outros.


Para o diretor da Perkons, Luiz Gustavo Campos, investir em educação no trânsito, infraestrutura e legislação eficaz é fundamental para a redução do número de acidentes e para evitar que o trânsito seja a 5ª causa de morte. “Não é apenas uma questão de comportamento, é preciso vontade política para investir em infraestrutura e para ter uma legislação eficaz e fazê-la ser cumprida. É preciso ensinar crianças a se comportarem de maneira segura, seja qual for o papel que exerçam no futuro: motorista, pedestre ou passageiro. O jovem precisa ter uma formação completa e direcionada para entender as consequências de ações imprudentes e para os adultos é necessário reforçar a adoção de boas práticas”, afirma.


Com a colaboração de todos, governo e cidadãos, o diretor da Perkons acredita que é possível mudar a realidade e diminuir a violência viária. “É um longo caminho, mas se as ações forem planejadas e cumpridas, é possível. Intervenções efetivas para a redução de fatalidades no trânsito incluem a incorporação de medidas de segurança nas rodovias, melhorias e planejamento para a ampliação do transporte público, investimentos nos quesitos de segurança dos veículos, garantia de velocidades adequadas (para cada tipo de via, veículo e condição climática), uma legislação abrangente e efetiva e eficiência no cuidado das vítimas pós-acidente”, sugere. Os aparelhos de monitoramento do tráfego, gestão de dados, restrição ao uso do automóvel e de fiscalização também auxiliam na segurança de condutores, passageiros e pedestres, complementa Campos.

Pessoas que vivem se arriscando levam o comportamento também para o volante


A psicóloga especialista em comportamento de trânsito e diretora do departamento de crimes de trânsito e perícias da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), Julieta Arsênio, afirma que as pessoas se comportam no trânsito tal como vivem. Portanto, pessoas cautelosas levam este comportamento para o trânsito e os que têm o perfil de correr riscos dirigem também de maneira perigosa. “Alguns dirigem se arriscando com a sorte, até o dia que chega sua vez”, frisa.


O comportamento ideal no trânsito, de acordo com a psicóloga, é o daquelas pessoas conscientes, que sabem o que estão fazendo e que percebem quando cometem deslizes. “Todos nós temos algumas imperfeições e temos de reconhecê-las e imediatamente voltar às ações consideradas normais, que viabilizem o trajeto de forma adequada”, completa.


A especialista destaca ainda que, se aquilo que está em vigor não aponta bons resultados, é melhor abandonar esses procedimentos e criar novas alternativas que sejam mais eficientes. “O artigo 254 do CTB, trata de proibições ao pedestre, passíveis de multa. Porém, na prática não se aplica essa determinação. Desde 1997, quando se instituiu o Código, os artigos sobre pedestres mantém-se os mesmos. Entretanto, por que manter regras ao pedestre se não se faz cumprir a legislação?”, questiona.


Julieta conclui que, a educação para a o trânsito ainda é o caminho mais eficiente e barato para se reduzir os acidentes. “Para que isso ocorra é preciso que o trabalho não se limite a campanhas pontuais, como acontece com a Semana Nacional do Trânsito. A educação para o trânsito deveria ser uma disciplina escolar, como já acontece em outros países. Só assim se cria uma cultura, desde a infância, de que essas regras devem ser respeitadas, tanto pelo motorista quanto pelo pedestre”, finaliza.


Com informações da Assessoria de Imprensa

Fonte: