22 de out. de 2014

Meio Milhão de Visualizações


O blog Educação para o Trânsito com Qualidade, criado em maio de 2009, completou 500.000 (quinhentas mil) visualizações.

Possui 1.069 postagens, muitas delas usadas para estudos e para a melhoria da educação para a segurança viária.

3.508 pessoas cadastraram seu e-mail para receber as atualizações do blog.

Agradeço pela oportunidade de poder contribuir com esta importante causa social.
Irene Rios

Postagens mais visualizadas

EntradaVisualizações de página
9883

5141

4413

23/05/2011, 6 comentários
4202
3791

11/06/2010, 3 comentários
3545

3360
3132
30/01/2012, 15 comentários
2632
06/06/2009, 12 comentários
2550

OBSERVATÓRIO propõe nova formação para condutores

OBSERVATÓRIO propõe nova formação para condutores
Há um ano, o Observatório Nacional de Segurança Viária foi convidado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados a realizar um estudo sobre o modelo atual da formação do condutor no país. Para isso, o Observatório compilou uma série de opiniões, alertas, sugestões de diversas entidades do setor, dentre elas Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), AND (Associação Nacional de Detrans), Sindicatos de CFCs (Centro de Formação de Condutores) e Associação de Instrutores.  A intenção foi dar início a um processo de mudança nesse cenário, com a intenção de diminuir o número de mortos e feridos pelo trânsito do país.
Segundo o presidente do Observatório, José Aurélio Ramalho, hoje nós temos uma grande fábrica de “pregos tortos”, pois os ensinamentos oferecidos pelos Centros de Formação de Condutores ou mesmo nas autoescolas não abrangem toda a questão do trânsito no país. “Não há uma uniformidade no país nos conceitos repassados pelos instrutores e examinadores. A avaliação dos riscos, a tomada de decisão, a direção defensiva, entre outros aspectos precisam ser ensinados de forma indistinta a todos os candidatos a uma Habilitação”, afirma Ramalho.
O estudo intitulado Formação do Condutor - 2015 (450 páginas) revisou todo processo de formação do condutor brasileiro nos dias atuais. Desde a metodologia das aulas teóricas, pré práticas (atuais aulas com simuladores) e práticas, a formação do instrutor e do examinador, o exame psicológico, de aptidão física e mental, incluindo a PPD (Permissão Para Dirigir), o documento de permissão para funcionamento de um CFC (Centro de Formação de Condutores e Autoescolas), toda a legislação que embasa a formação do condutor, todas as etapas estabelecidas pela lei e suas prerrogativas. O trabalho está sendo protocolado na Comissão de Viação e Transportes, Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, Ministério das Cidades, Denatran e Contran.
O estudo não é um “manual de soluções”. Ele aponta o que é preciso ser revisto e mudado para melhorar a atual formação desse condutor nas diversas áreas do saber e também da psicologia e da medicina. Os mais de dez técnicos envolvidos (uma equipe multidisciplinar) propõem que aja um vínculo mínimo e uma sequência lógica de estudo entre a teoria, a pré prática e a prática embasados por um processo de ensino-aprendizagem que tenha critérios, obrigatoriedades, procedimentos e parâmetros pedagógicos com planos de aulas e um acompanhamento dos órgãos fiscalizadores e de toda sociedade.
Porém, a pergunta que hoje nós queremos responder é: QUE TIPO DE CONDUTOR NÓS QUEREMOS NO BRASIL? Para isso, o Estudo define que a formação do condutor no Brasil deve garantir três itens básicos para o aluno:
- que ele consiga reconhecer a informação que lhe é data pelo ambiente que ele transita;
- que ele consiga tratar e entender essa informação do que está ocorrendo ao redor avaliando o risco de um acidente e;
- que ele consiga reagir e evitar, com destreza e conhecimento (provindos da sua formação), as possíveis situações de risco.
Com esse estudo, o Observatório cumpre uma de suas funções que é promover os subsídios técnicos necessários para o desenvolvimento seguro do trânsito em prol do cidadão, por meio da educação, pesquisa, planejamento e informação.
Para conhecer mais sobre o Estudo, clique aqui e tenha acesso a todo o trabalho.
CONTEXTO:
O Observatório elencou alguns dados gerais para traçar um panorama do trânsito no Brasil atual:
  1. Morrem anualmente mais de 50 mil brasileiros e outros 440 mil ficam sequelados permanentemente (1,3 mil/dia)[1] todos os anos? 
  2. Que mais de R$ 40 bilhões ao ano são gastos com acidentados de trânsito no Brasil, segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)?
  3. Em 2013, a Previdência Social gastou R$ 12 bilhões com acidentes de trânsito, dados estes subnotificados, pois muitos são classificados como acidentes de trabalho?
  4. No último mês de maio, a sociedade brasileira apoiou e aderiu, de forma vultuosa e louvável, ao Movimento Maio Amarelo, idealizado com o objetivo principal de trazer o tema trânsito à discussão contínua da sociedade em razão dos números nefastos de mortos e mutilados “contabilizados” todo ano no Brasil; o Movimento Maio Amarelo foi premiado internacionalmente (http://www.onsv.org.br/ver/-599);
  5. O trânsito no Brasil é classificado como um tema multissetorial e não é de competência de um único órgão, mas sim de diversos órgãos públicos, das mais diversas áreas (saúde, educação, cidades, infraestrutura, previdência, justiça, desenvolvimento social), órgãos estes que, acredita-se em virtude da conhecida burocracia, trabalham de forma individualista e desentrosada, inviabilizando políticas conjuntas mais efetivas?
  6. É de vosso conhecimento a existência de dois grandes projetos para a segurança e melhorias no trânsito do país: o de 2004, Política Nacional de Trânsito e o Plano Nacional de 2010, que pouquíssimos avanços tiveram, em plena Década de Ação pela Segurança no Trânsito proclamada pela ONU (Organização das Nações Unidas)? O Brasil comemora a redução de mortes no trânsito, mas fecha os olhos para o crescente número de inválidos permanentes que onera de forma perigosa a economia do país.
  7. É de vosso conhecimento que o Brasil sediará a próxima reunião interministerial da ONU (novembro/2015) para tratar das ações realizadas pelos países durante a 1ª metade da Década e o eleito em 2014 terá que enfrentar a sabatina da sociedade mundial pelo descumprimento da meta da Década no Brasil?
  8. Mais de 70% dos leitos hospitalares para atendimento ao trauma são ocupados por vítimas de eventos de trânsito, eventos estes previsíveis e evitáveis, ou seja, eventos que demonstram o desperdício de gastos públicos com situações contornáveis com políticas de educação e fiscalização mais eficazes; 
  9. Mais de 75% dos envolvidos em acidentes de trânsito (mortos e sequelados permanentes) são homens na faixa etária de 18 a 44 anos;
  10. A força de trabalho está sendo exterminada e/ou mutilada pelo trânsito brasileiro e que a consequência disso é o agravamento do déficit da previdência e do desenvolvimento industrial e econômico em virtude de possível e iminente “apagão” da mão-de-obra em geral, como já é registrado no setor de transportes que não dispõe de motoristas de caminhões e ônibus.

[1] Dados Seguradora Líder DPVAT 2013.
Fonte: http://www.onsv.org.br/ver/-602 - Acesso em 22/10/2014

15 de out. de 2014

Curso de Métodos e Técnicas Educativas para a Mobilidade Segura


CURSO CONFIRMADO!
Inscrições de diversas regiões do Brasil. Confira as cidades dos inscritos: Barretos/SP - Brusque/SC - Fortaleza/CE - Foz do Iguaçu/PR - Macapá/AP - Maceió/AL - Marília/SP - Nossa Senhora do Socorro/SE - Parauapebas/ PA - Paulista/PE - Rio Bonito/RJ - Rio Claro/SP - São Francisco do Sul/SC - São Luiz do Paraitinga/SP - Tauá/CE - Toledo/PR.

ÚLTIMAS VAGAS!

Local do Curso: Hotel Foz do Iguaçu - Av. Brasil, 97 - Centro - Foz do Iguaçu - PR  www.hotelfozdoiguacu.com.br - facebook.com/hotelfozdoiguacu
Horário: das 8:00 às 12:00 e das 13:00 às 19:00.


Objetivos
Proporcionar a aquisição de conhecimentos sobre conteúdos, métodos e técnicas educativas de trânsito, para o desenvolvimento de aulas, palestras, campanhas educativas e demais atividades em prol da mobilidade segura.
Público Alvo:  Gestores de trânsito, coordenadores de educação para o trânsito, professores, supervisores, orientadores e demais interessados nos temas.
Metodologia e Recursos Educativos: Dinâmicas individuais e de grupo, exposição de motivos, exemplificação, slides, imagens, músicas, vídeos, exercícios práticos e pesquisa de campo.
Facilitadores
Irene Rios, Mestra em Educação; Especialista em Ambiente, Gestão e Segurança de Trânsito e em Metodologia de Ensino; Professora universitária de Educação para o Trânsito, Campanhas Educativas de Trânsito e Educação de Trânsito para Crianças e Adolescentes; Autora de artigos e livros na área de Educação para o Trânsito.

Rodrigo Calistro ministra oficinas de dramaturgia e contação de histórias. É contador de histórias desde 2004,
Investimento: R$ 650,00
No valor está incluso:
  • Coffe break
  • Os livros “Guia Didático de Educação para o Trânsito”, “Transitando com Segurança” e “Quem? Eu? Eu Não! E Outras Crônicas de Trânsito”, de Irene Rios
  • Visita de estudo a Foz do Iguaçu e ao Paraguai,
Os participantes receberão certificado de participação.
Grupos com mais de três pessoas, desconto de 10%.

Consulte-nos sobre parcelamento!
Formas de pagamento: 

1. Depósito Bancário
Banco do Brasil
Agência: 2638-7 - Conta: 38842-4
Favorecido: Instituto Ousar Comércio e Serviços Ltda. ME

2. Boleto Bancário

3. Empenho
A confirmação da inscrição acontece após o envio do comprovante de pagamento, ou do empenho, pelo e-mail: transito@institutoousar.com.br.
Conheça outras atividades de Educação para o Trânsito realizadas pelo Instituto Ousar, no site www.institutoousar.com.br

O Instituto Ousar se dá o direito de adiar ou cancelar o referido curso caso não haja a quantidade mínima de 20 participantes, com o prazo de 14 dias antes do inicio do curso. Neste caso, o valor das inscrições pagas será reembolsado.

11 de out. de 2014

O trânsito continua matando, senhores!

Por Archimedes Raia Jr.

Enquanto os países da Europa, América do Norte, Ásia e Oceania avançam na segurança no trânsito, o Brasil regride. Exemplo disso é que ele ficou de “recuperação” na avaliação da ONU, pelo seu péssimo desempenho neste setor. Para se ter uma ideia, em todos os países da União Europeia (EU), em 2012, morreram 28 mil pessoas, enquanto que no Brasil foram mais de 43 mil. Ponderando-se o número de mortes pela população, tem-se que na EU foram 55 mortes por grupos de um milhão de habitantes; no Brasil, essa taxa atinge 215, segundo dados do DATASUS. Pelos dados do DPVAT, a taxa atinge o valor assustador de 300 mortes/1 milhão de habitantes. Chocante!

Grande parte desses países adotou medidas extremamente rigorosas nos campos de engenharia de tráfego, educação para o trânsito e legislação/fiscalização. Outro aliado estratégico foi a adoção da filosofia desenvolvida na Suécia, denominada de Visão Zero. Ela parte do pressuposto ético de que não é aceitável que pessoas morram ou fiquem gravemente feridas no trânsito. Este objetivo pode parecer utópico, no entanto, ele norteia todas as ações voltadas para o trânsito nesses países. E funciona.

Para citar um exemplo maior de sucesso, tem-se a Alemanha, onde a mortalidade devido aos acidentes de trânsito reduziu mais de 80% nos últimos quarenta anos. O governo alemão tem como objetivo a ser atingido encerrar um ano completo sem que se registre uma única vítima fatal. Outro exemplo significativo é a Austrália, onde a fatalidade viária despencou cerca de 40% nos últimos 20 anos. Também a China, em dez anos, desenvolveu esforços para modificar a tragédia da acidentalidade viária, que era a principal causa de óbitos entre pessoa com até 45 anos. A perda de vidas chinesas devido aos acidentes envolvendo veículos de duas rodas e atropelamentos retrocedeu 43% entre 2002 e 2011. Enfim, o sucesso das ações desses países se deveu, sobretudo, às fortes e consistentes ações, muitas vezes impopulares, como é o caso da fiscalização e da punição exemplar.

Nestes últimos anos, um fator que tem contribuído sobremaneira para o recrudescimento da matança no trânsito são as motocicletas. Os óbitos envolvendo motociclistas, de 1996 a 2011, cresceram absurdos 932%, para um crescimento da frota de cerca de 500%, enquanto que aqueles associados aos usuários dos automóveis subiram 73% (crescimento da frota de 140%). O excesso de velocidade, a imprudência, o ziguezaguear entre os carros, a pouca formação são as principais causas.

Dentre os carros, as principais causas são: usar o celular, dirigir sob o efeito de bebidas, drogas (lícitas e ilícitas), imprudência, veículos sem a devida manutenção e a má formação de condutores. 

De outro lado, ao se analisar as propostas apresentadas pelos presidenciáveis, em suas mais distintas manifestações, pouco ou nada se falou em relação a essa tragédia cotidiana da morbimortalidade no trânsito. Será que a morte de 55 mil brasileiros, e outros 445 mil com invalidez permanente, segundo dados do DPVAT para 2013, não merecem um mínimo de atenção? A dor sofrida pelas famílias e os altos custos sociais promovidos pela hecatombe do trânsito não sensibilizam os possíveis líderes da Nação. Sensibilizará a população? O exemplo convence, o exemplo arrasta! Onde está o exemplo?

O autor é doutor em Engenharia de Transportes e especialista em trânsito, professor da UFSCar, diretor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC.

“Consegui reencontrar a felicidade depois de perder três filhas em uma tragédia”

Jackie Hance, 42 anos, deixou o trabalho para se dedicar às três filhas em tempo integral. Tudo mudou numa manhã, quando sua cunhada destruiu o carro que levava as meninas em um acidente. Destroçada pela perda, entrou em depressão e pensou em suicídio. Após um ano e meio, atendeu ao apelo do marido de engravidar novamente. À Marie Claire, conta como voltou a amar após a chegada de Kasey


Jackie Hance, o marido Warren e as três filhas do casal, Emma, Alyson e Katie, antes da tragédia (Foto: Newscom/Glow Images)

(JACKIE HANCE, O MARIDO WARREN E AS TRÊS FILHAS DO CASAL, EMMA, ALYSON E KATIE, ANTES DA TRAGÉDIA (FOTO: NEWSCOM/GLOW IMAGES)

“Assim que me casei, em abril de 1999, larguei a carreira e parei de tomar pílula.Trabalhava na Barnard College, em Nova York, e gostava de meu emprego. Mas, aos 25 anos, queria ter um filho. Um não, vários. Meu grande sonho sempre foi ser mãe.Meu marido, Warren, queria muito formar uma família também. Não demorei a engravidar: logo tive três lindas meninas – Emma, Alyson e Katie.
"Quando as meninas não estavam por perto, ao contrário de muitos pais que veem o tempo livre como uma bênção, eu ficava perdida."Elas se tornaram a razão da minha existência e nunca me arrependi de ter parado de trabalhar para cuidar delas em tempo integral. Adorava preencher meus dias em função de suas agendas, das aulas que tinham, dos ensaios de teatro. Fazia questão de estar presente em todos os momentos. Naquela época, no entanto, nem me passava pela cabeça que elas pudessem ser arrancadas de mim, levando junto todo o sentido de estar no mundo [o drama é contado no livro "Até que o Tempo Nos Reúna", Fontanar, 270 págs., R$ 29,90].

Quando as meninas não estavam por perto, ao contrário de muitos pais que veem o tempo livre como uma bênção, eu ficava perdida. Não acho que isso seja certo, nem que funcione para todo mundo, mas era como me sentia. E foi assim naquele fim de semana de verão, há cinco anos, quando elas foram acampar com os tios Diane e Denny e seus dois filhos (primos delas).
 
Minha cunhada amava minhas meninas como se fossem suas próprias. E elas também a amavam, estavam animadas em viajar com os primos. Emma tinha 8 anos, Alyson, 7 e Katie, 5. Minhas filhas haviam feito a mesma viagem no ano anterior e estavam excitadas para ir de novo.

No fim da tarde de sábado, falei com as garotas pelo telefone e elas estavam se divertindo, muito felizes. Pegariam a estrada de volta no domingo de manhã e não via a hora de reencontrá­-­las. Emma, a primogênita, teria ensaio para sua apresentação de "A Bela e a Fera", que aconteceria no fim de semana seguinte.

Warren, meu marido, estava bem tranquilo com a ausência das meninas, certo de que elas estavam em boas mãos e se divertindo bastante. Tanto que até marcou de encontrarmos um casal de amigos naquela noite, para aproveitar nosso raro tempo sem crianças. E realmente foi muito gostoso.
Jackie com as três filhas (Foto: Divulgação)(JACKIE COM AS TRÊS FILHAS (FOTO: DIVULGAÇÃO)
No domingo de manhã, Emma ligou para o escritório de Warren e disse que se atrasariam um pouco para sair (meu marido tem uma empresa de avaliação imobiliária e algumas vezes tem de trabalhar aos finais de semana). Preocupada com a demora, liguei para Diane para saber se estava tudo bem e ela me explicou que eles haviam se atrasado um pouco – a logística de cinco crianças é complicada –, mas que logo estariam conosco.
Só que às 12h58, o telefone de casa tocou e já não estava mais tudo bem. Era minha Emma, ligando do carro, assustada, dizendo que ‘tinha alguma coisa de errado com tia Diane’. Meu coração disparou. Ouvi ao fundo o choro de um dos primos das meninas, e Diane pegou o telefone. Disse que as meninas estavam só brincando, mas notei que sua voz estava estranha. Tinha a fala arrastada e dizia coisas incoe­rentes. Pedi para conversar com Emma de novo, mas ela seguiu com as frases sem sentido e desligou.
"Às 12h58, o telefone de casa tocou e já não estava mais tudo bem. Era minha Emma, ligando do carro, assustada, dizendo que ‘tinha alguma coisa de errado com tia Diane’. Meu coração disparou."
 
Na hora telefonei para meu marido. Queria que ele falasse com a irmã e tentasse entender o que estava ocorrendo. Warren ligou para Diane e mandou que ela parasse o carro onde estivesse que ele iria buscá­-las. Implorou para ela não continuar dirigindo, pois percebeu que havia algo errado. Na hora pensamos que talvez ela tivesse tido um ataque epilético ou um derrame. Eu tinha certeza, pelo que conhecia de Diane, uma mãe cuidadosa e responsável, que ela pararia o carro no acostamento e esperaria por Warren.
Assim que ele saiu pela porta, liguei para a emergência da polícia para pedir ajuda. Depois, para Danny, meu cunhado, que talvez tivesse alguma ideia do que poderia ter acontecido, afinal, havia estado com Diane naquela manhã. Ele havia ficado no trailer para terminar de arrumar as coisas e, como estavam em carros separados, saiu de lá depois dela. Diane dissera a ele que viria até nossa casa deixar as meninas. Ficou desesperado quando soube que ela ainda não chegara. Pegou o carro e saiu para encontrá-la, pois sabia o caminho que sua mulher costumava fazer.
"Diane não havia estacionado no acostamento, como pedimos. Bateu de frente com outro carro. Ela, a filha de 2 anos, Emma e Alyson morreram na hora. Katie chegou com vida ao hospital, mas não resistiu."O tempo foi passando e o pesadelo continuou. Warren e Danny não encontravam o carro em lugar algum, nem com a ajuda da polícia, que a essa altura já estava em ação. Até que tocou o celular de Brad, marido da minha vizinha, que estava na minha casa para dar uma força. Era meu marido, histérico, do outro lado da linha. Brad só escutava, depois ficou de pé, apoiou-se na parede e pediu calma. Eu podia ouvir meu marido aos gritos. Quando desligou, Brad olhou para mim com o rosto transfigurado. Ele só conseguiu dizer: ‘Jackie, elas se foram’. Fiquei olhando para Brad sem entender, que repetiu: ‘Elas se foram, Jackie, eu sinto muito’. 
Saí de casa correndo, aos berros. Gritando, me esgoelando. Não dizia nada, só conseguia uivar com aquela tragédia. Corri muito rápido, para longe, com a ilusão de que, se me afastasse de lá, fugiria do horror. Os vizinhos começaram a sair das casas assustados com meus urros e me chamavam, mas eu só conseguia correr. Nem sei como voltei para casa naquele dia. E todos os dias seguintes foram tão nebulosos e confusos quanto aquele. Houve o velório, o enterro. Cinco caixões brancos enfileirados. Todos enterrados no mesmo jazigo.

Fui descobrindo a história aos poucos. Só muito tempo depois entendi completamente o que havia acontecido. Diane não havia estacionado no acostamento, como pedimos. Ela parou de atender ao celular e seguiu para a estrada em direção ao norte, não ao sul, onde morávamos. Bateu de frente com outro carro.

Ela, a filha de 2 anos, Emma e Alyson morreram na hora. Katie chegou com vida ao hospital, mas não resistiu. Os três ocupantes do outro carro também se foram. O único que saiu com vida foi Brian, filho mais velho de Diane. Naquele dia, eu também perdi minha vida. Danny também havia perdido o chão, junto com quase toda sua família. E, assim como eu, não imaginava o que ainda estava por vir.
Capa do livro "Até que o Tempo Nos Reúna", em que Jackie Hance relata a tragédia que mudou completamente sua vida e como superou a perda das três filhas (Foto: Divulgação)


Menos de uma semana após o acidente, saiu o relatório toxicológico de Diane. Até então, apesar de não termos respostas claras sobre o que teria acontecido, Warren e eu estávamos perturbados e confusos demais para tirar qualquer conclusão. Acreditávamos que ela tivera um problema de saúde. Mas a polícia tinha uma resposta atordoante: Diane estava bêbada na hora do acidente. Seu nível de álcool no sangue era mais que o dobro do limite legal.
"Diane estava bêbada na hora do acidente. Seu nível de álcool no sangue era mais que o dobro do limite legal. A polícia descreveu a quantidade como o equivalente a dez doses de vodca consumidas em menos de uma hora."A polícia descreveu a quantidade como o equivalente a dez doses de vodca consumidas em menos de uma hora. E encontrou uma garrafa da bebida aberta em meio aos destroços. Havia também evidências de que ela teria fumado maconha menos de uma hora antes de bater o carro.

Nas semanas seguintes, sofri uma amnésia factual. Todos os dias acordava sem lembrar do que tinha acontecido. Perguntava pelas meninas, dizia que tinha que descer para preparar o café da manhã e o lanche da escola. E todos os dias tinham de me dar a notícia de novo. Um dia, levantei da cama e tropecei numa das minhas amigas, que dormia no corredor, em frente ao meu quarto. Meus amigos fizeram um esquema de plantão na minha casa para que nunca ficasse só. E todas as manhãs me mostravam o mesmo jornal com a notícia do acidente.
 
Mesmo tomando remédios todos os dias, desejava morrer para ficar perto das minhas filhas. Cheguei a pedir para o Warren me matar para ir cuidar delas no céu, porque, se cometesse suicídio, talvez fosse para outro lugar. Ele ficava irritado, apavorado com minhas palavras. Então amea­cei matá-lo. Na minha fantasia, assim ao menos um de nós dois poderia ficar com elas. Um dos pais precisa estar perto das meninas. O casamento desandou, claro. Bastava um olhar para o outro para lembrar da dor. No nosso caso, ainda havia a raiva que eu projetava nele.

Todas as vezes que olhava para Warren, pensava: ‘Foi sua irmã que destruiu nossas vidas’. Não era justo culpá­-lo pelo que ela fizera, mas não havia ninguém mais para odiar. Começamos a brigar tão asperamente que os amigos não nos deixavam sozinhos. Raiva, culpa, dor e ressentimento formam uma combinação explosiva.Como sentir carinho por alguém se você não tem coração? Depois que elas se foram, me sentia com um enorme vazio no peito. Não conseguia mais dizer ‘te amo’. Quando Warren tentava me abraçar, simplesmente deixava o corpo mole até que o abraço terminasse.
"Todas as vezes que olhava para Warren, pensava: ‘Foi sua irmã que destruiu nossas vidas’. Não era justo culpá­-lo pelo que ela fizera, mas não havia ninguém mais para odiar. Começamos a brigar tão asperamente que os amigos não nos deixavam sozinhos."Alguns meses depois, um casal de amigos nos convidou para ir à praia. Achavam que sair daquele ambiente cheio de tristeza e luto nos faria bem. Foi quando consegui sentir, pela primeira vez, alguma coisa pelo Warren de novo. E foi a primeira vez que fizemos sexo desde o acidente. Eu me permiti, por alguns minutos, deixar de lado o horror profundo do qual não conseguia esquecer em outras situações. Foi bom sentir meu marido perto de mim, mas me senti culpada no mesmo instante. Não conseguia conceber a ideia de me sentir bem ou de ter prazer, já que as meninas haviam morrido.

Não demorou para que os amigos começassem a dizer que eu deveria ter mais filhos. Estava com quase 40 anos e a teoria parecia ser a seguinte: se minha vida tinha sido brutalmente arrancada de mim, era preciso começar outra.Honestamente, todos pareciam loucos. Filhos são insubstituíveis e eu já tinha três. Queria ser a mãe delas e não de outra criança!
 
Também estava instável emocionalmente e não me imaginava cuidando e muito menos amando uma pessoa. Além disso, depois de três gestações difíceis, nas quais enfrentei fortíssimas alterações de humor e depressão pós-parto, eu tinha ligado as trompas. Mas, convencida por uma amiga, fui conversar com um médico amigo dela, especialista em fertilização in vitro. Saí de lá achando aquilo tudo absurdo, enquanto Warren parecia dividido entre uma ponta de esperança e o medo. Éramos dois seres humanos vazios, destroçados por uma dor que nunca iria embora.

Alguns dias depois, saí para resolver umas coisas e, no meio do caminho, tive uma crise de choro. Estacionei o carro, me debrucei no volante e chorei compulsivamente. Fazia isso todos os dias desde o acidente, mas naquele momento o choro era por um motivo diferente: pela primeira vez, me dei conta de que, durante um ano e meio, estive presa, sem sonhos, propósitos ou objetivos. Percebi que não conseguia pensar no futuro porque só vivia o passado. Uma parte de mim, então, entendeu que o que eu tinha perdido não seria reencontrado jamais. Era hora de olhar para a frente.

"Kasey trouxe de volta um coração para uma casa oca" (Foto: Divulgação)("KASEY TROUXE DE VOLTA UM CORAÇÃO PARA UMA CASA OCA" (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Combinei com Warren que faríamos três tentativas de implantar embriões. Ele tinha muito receio de que, se eu não engravidasse na primeira, mergulhasse novamente em uma depressão profunda e cometesse suicídio de fato. Mas engravidei. E, no dia em que descobrimos, ficamos felizes. Foi a primeira vez, em um ano e meio, que sentimos uma faísca de alegria em nossas vidas. Ainda demorou um tempo para que parasse de me sentir culpada por estar feliz, mesmo que um pouco ou por alguns momentos. Achava que estava traindo minhas meninas.
"Com a chegada de Kasey, aprendi que alegria e tristeza podem coexistir. Essa menininha linda que hoje está com 3 anos trouxe de volta um coração para uma casa oca"Mas, com a chegada de Kasey, aprendi que alegria e tristeza podem coexistir. Essa menininha linda que hoje está com 3 anos trouxe de volta um coração para uma casa oca. E mostra, todos os dias, um pouco de cada uma de suas irmãs para mim. Ela também me fez ser uma pessoa capaz de amar de novo. Hoje, posso dizer que a amo e também Warren, meu marido e porto seguro. 
Foi graças a Kasey, também, que consegui perdoar minha cunhada. Se tristeza e alegria podem coexistir, certamente amor e ódio não. E perdoar Diane foi muito importante em meu processo de reaprender a amar. Ainda não sei por que ela fez o que fez. Fui ao cemitério e disse, tocando na lápide dela, que a desculpava.

Com Emma, Alyson e Katie me dediquei com tanto afinco à maternidade que acabei deixando todo o resto da vida de lado. Era muito feliz enquanto vivia apenas como mãe, mas, quando tudo acabou, e de uma vez, o choque foi imensurável. Agora, com Kasey, optei por fazer diferente. Trabalho meio perío­do no escritório de uma empresa da área médica e me dedico também à fundação que criamos para manter viva a memória das meninas, a Hance Family Foundation, que promove apoio educacional e psicológico para crianças.

Foi pela memória delas que resolvi, também, escrever o livro "Até que o Tempo Nos Reúna". Queria que as pes­soas tivessem a chance de conhecê-las: que a mulher que um dia poderia ter sido a sogra de Katie soubesse como ela gostava de dar abraços. E que os amigos que Aly viesse a ter soubessem como ela era uma companheira alegre. E que Emma, minha estrelinha Emma, poderia estar brilhando nos palcos de um teatro.”

Educação para a segurança no trânsito, em Novo Horizonte/SP



Palestras com Irene Rios, na Usina Estiva, e contação de histórias com Rodrigo Calistro, nos colégios. As atividades foram realizadas nos dias 22 e 23 de setembro de 2014.