21 de jul. de 2012

Momentos do Congresso Internacional de Trânsito

Cooperar, cooperar e cooperar: diretora de trânsito da Espanha defende integração para salvar vidas
18.07.2012 - 16:00
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Articulação e cooperação entre instituições e governos locais. Num país com as peculiaridades da Espanha, esta foi a forma encontrada pela Direção Geral de Trânsito (DGT) para reduzir os índices de acidentalidade. Mas apesar de apresentar bons resultados, o país segue perseguindo a meta de reduzir a zero o índice de lesões decorrentes de trânsito. A declaração foi feita na tarde desta quarta-feira (18) em conferência no Congresso Internacional de Trânsito promovido pelo Detran/RS, em Porto Alegre.
“Cooperamos, cooperamos e, quando estivermos cansados, cooperamos. Com quem? Com todos os que de uma maneira, ou outra, têm competência nessa matéria”, resumiu a médica espanhola María Seguí Gómez, diretora-geral da DGT. Ela apresentou os resultados obtidos pela Espanha, que nos últimos anos conseguiu sair de uma posição incômoda no ranking europeu de violência no trânsito.
Em 2003, a Espanha ocupava a 17ª posição no ranking europeu de países com menor mortalidade no trânsito. Em 2009, passou a ocupar a 9ª posição. No período, as medidas adotadas reduziram o índice de 128 mortos por milhão de habitantes para 59 mortos por milhão de habitantes. Os resultados foram obtidos por meio de um plano estratégico de longo prazo, que incluiu a criação de um Observatório de Trânsito, o aumento na fiscalização e no rigor da legislação, mudanças na formação de condutores e incremento no número de guardas nas ruas.
María Seguí destacou as características da Espanha como um potencial obstáculo para o êxito das ações. A DGT tem competência limitada e muitas das iniciativas, como conservação de estradas, sinalização, registro de veículos e habilitação da condutores, são compartilhadas com outras instituições. Além disso, a política de trânsito precisa ser integrada com as 17 comunidades autônomas, 52 províncias e oito mil municípios. “Mas a realidade fragmentada da Espanha não pode ser obstáculo para uma ação integrada e conjunta”, alertou María Seguí, que também mencionou a crise econômica e as deficiências nos sistemas de informação como outros entraves a serem superados.
A diretora da DGT explicou que a estratégia espanhola baseia-se em três eixos: a educação, não só somente aos condutores; a legislação rígida; e a infraestrutura de trânsito. Essa estratégia é colocada em prática a partir da visibilidade e da transparência, do acesso aos dados públicos e do uso das evidências para o embasamento das ações. “A diminuição das cifras tem que ser acompanhada de uma análise do perfil das vítimas”, recomendou María Seguí. Ela destacou também a importância da cooperação entre instituições na Espanha. Campanhas educacionais e de promoção da saúde, ações voltadas às seguranças nas estradas e fiscalização rigorosa são políticas compartilhadas com diferentes ministérios. “Cada um de nós ocupa um pequeno cargo em alguma instituição, e é através da integração e da sinergia que conseguiremos solucionar este grave problema de saúde pública”, afirmou.
Em 2010, a Espanha teve 2.478 mortes e 23.129 lesões hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito. Um plano estratégico de segurança viária prevê, até 2020, reduzir o índice de mortos e feridos graves no trânsito, além de reduzir o impacto socioeconômico dos acidentes. Para María Seguí, o compromisso da Década de Ação para a Segurança do Trânsito, de redução em 50% do índice de mortes, ainda é pouco. 
Doutora pela Universidade de Harvard, María Seguí ocupou cargos na Associação para o Avanço da Medicina Automotiva e tem trabalhado em questões de política de transportes com o Banco Mundial, DG TREN Europeia e Organização Mundial de Saúde. 

Daniel Cassol

de Porto Alegre


Palmas aposta em informação e parcerias para reduzir acidentes

19.07.2012 - 09:30






Palmas, capital do Estado de Tocantis, elegeu o princípio da proatividade e a formação de parcerias como estratégia para enfrentar o problema de acidentes de trânsito, que chegou a colocar a cidade em um preocupante segundo lugar no ranking nacional. A implementação do projeto Vida no Trânsito em Palmas foi tema da palestra realizada na manhã desta quinta-feira (19), no Congresso Internacional de Trânsito, por Marta Maria Malheiros Alves, presidente da Comissão Projeto Vida no Trânsito e integrante da Vigilância Epidemiológica Municipal, e por Magnus Matos, gerente de observação em Segurança Pública e coordenador da Subcomissão de Gestão e Análise de Dados, do município de Palmas.
Marta relatou que no período entre 2010 e 2011 foi iniciada a construção de um plano de ação com os objetivos centrais de buscar parcerias e construir um banco de dados reunindo informações de várias entidades. Esse banco de dados acabou se tornando o coração do projeto gerenciado pelas secretarias municipais da Saúde e de Trânsito. Um dos principais problemas enfrentados logo de saída foi o alto índice de acidentes com vítimas fatais envolvendo motocicletas. Cerca de 50% dos óbitos em acidentes em Palmas – cidade com cerca de 233 mil habitantes e uma frota de mais de 125 mil veículos -, ocorrem com motociclistas. 
A partir da implementação do Vida no Trânsito foram tomadas uma série de medidas para tentar reduzir esse índice: implementação de radares fixos e móveis, blitze feitas de forma integrada e voltadas a públicos específicos. 
Mas a principal arma dessa batalha foi a construção de um banco de dados reunindo informações de várias instituições. A partir dessa base de dados, passou-se a realizar reuniões trimestrais de avaliação que resultaram em ações específicas informadas pela análise desses dados. “Nós procuramos implementar uma mudança da cultura de segurança viária em cima dos três fatores de risco mais presentes em Palmas: velocidade, motociclismo e álcool. Nossas ações de educação em segurança viária, infraestrutura, fiscalização e ação junto a usuários vulneráveis passaram a ser tomadas com base nessas informações”, disse Marta Alves. Além disso, foi lançada a campanha “Eu me comprometo”, um chamado para que cada cidadão e cidadã assumisse sua parcela de responsabilidade nessa luta contra os acidentes de trânsito.
As parcerias firmadas com outras instituições foram – e seguem sendo – fundamentais para o êxito dessa política, reforçou Magnus Matos. Todos os órgãos integrados ao Sistema de Informações sobre Operações Policiais (SIOP) – Polícia Militar, Guarda Metropolitana, Bombeiros, IML, SAMU - produzem dados sobre acidentes de trânsito no município. O cruzamento de dados e a exclusão dos dados duplicados permitem a identificação e a análise dos acidentes graves e fatais. Essa análise de dados também é utilizada para a construção de indicadores. 
As medidas já resultaram em avanços como a redução de 19,3% de feridos graves e mortos, a redução de 9,12% das vítimas não fatais, e de 14,39% no número de acidentes, em um universo analisado de 10 mil veículos. “Nós estamos iniciando esse processo. O que está claro é que a redução de acidentes graves e fatais será resultado de um esforço coletivo. Nenhum órgão isolado terá êxito nesta luta”, concluiu Marta Alves.


Marco Weissheimer
de Porto Alegre


A experiência de Teresina: quando 1+1 é mais que 2




A capital do Piauí vive um problema comum a muitas cidades brasileiras: o crescimento exponencial da frota de veículos com os decorrentes problemas de circulação e mobilidade urbana. Teresina tem hoje mais de 814 mil habitantes e uma frota de aproximadamente 300 mil veículos. Essa frota vem crescendo a uma taxa de 10% ao ano, enquanto a população cresce a uma taxa de 1% ao ano. A adoção do Projeto Vida no Trânsito no município segue o compromisso adotado pelo Brasil de reduzir o índice de acidentes nesta Década de Ação pela Segurança Viária, estabelecida pela Organização das Nações Unidas, relatou Audea Lima, Superintendente Municipal de Transportes e Trânsito de Teresina, durante sua apresentação no Congresso Internacional de Trânsito, na manhã desta quinta-feira (19).
Audea Lima destacou em sua fala, intitulada “Nossos passos rumo a uma cultura de segurança no trânsito”, o caráter processual da experiência que vem sendo implementada em Teresina. “Nossos passos constituem uma caminhada e cada um deles tem um significado valioso para nós e para toda a população”, resumiu. Ela apresentou alguns dados de 2011, do Hospital de Urgências de Teresina (HUT), para ilustrar a dimensão do problema que as autoridades deste município enfrentam. O HUT atende cerca de 90% das vítimas de traumas na cidade e região. Destes, cerca de 20% são resultantes de acidentes de trânsito e, dentro deste universo, cerca de 85% são acidentes envolvendo motociclistas.
“Teresina aderiu ao Projeto Vida no Trânsito em função do elevado número de acidentes. O município optou pela criação de uma comissão intersetorial, uma estratégia geral adotada em vários países”, relatou Audea. “Até então nós não tínhamos uma metodologia de trabalho como essa proposta pelo Vida no Trânsito”. A partir daí, iniciou-se um processo sistemático de coleta de dados junto ao SAMU, à Polícia e à Polícia Rodoviária Federal. Com esses dados foi sendo construído um banco de informações sobre vítimas leves, graves e fatais. “É um processo que demanda tempo e a busca permanente de parceiros. Criamos um plano de ação intersetorial e passamos a realizar trimestralmente uma análise dos fatores de risco”.
Audea também apresentou a Operação Salva Vidas como exemplo de uma ação integrada que já trouxe resultados positivos. Lançada em janeiro de 2011, essa operação é fruto de uma parceira entre a Prefeitura de Teresina através da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Companhia Independente de Trânsito (Ciptran), Rone e Polícia Militar (PM) e a Polícia Rodoviária Estadual (BPRE). No período de um ano, as vítimas fatais em acidentes de trânsito caíram de 225 para 161, uma redução de 30%, que ficou muito acima da meta. “O que é mais importante é que salvamos 69 vidas. Esse exemplo mostra a importância das parcerias. Neste caso específico, um mais um é mais que dois”.



Marco Weissheimer
de Porto Alegre


Especialista relata experiência de redução de mortes nas vias francesas

19.07.2012 - 12:00






Em 40 anos, o número de mortes nas ruas e estradas francesas caiu mais de quatro vezes: de cerca de 18 mil em 1972, para menos de 4 mil atualmente. Isso a despeito do aumento em três vezes da frota daquele país. Esses dados foram apresentados na manhã desta quinta-feira (19) por Joël Valmain, conselheiro técnico para questões internacionais do Delegado Interministerial pela Segurança Viária da França, durante o Congresso Internacional de Trânsito – Ideias que salvam vidas, promovido pelo Detran/RS. O evento marca os 15 anos do Detran gaúcho e integra a Década de Ação pela Segurança do Trânsito, estabelecida pelas Nações Unidas, cujo objetivo é reduzir em 50% o número de vítimas de acidentes de trânsito até 2020. 
O ano de 1972 foi marcado pela criação da Delegação Interministerial pela Segurança Viária na França, organismo que tem como objetivo reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito. A experiência bem-sucedida nessas quatro décadas, segundo Valmais, foi obtida graças a uma série de medidas, como a obrigação do uso de cinto de segurança e de capacete, a realização de testes de alcoolemia e o controle de velocidade. 
Como o nome diz, a Delegação Interministerial é um organismo que envolve a cooperação de diversos ministérios franceses. É presidido por um delegado nomeado pelo primeiro-ministro. Subordinado ao Ministério do Interior, tem a missão de trabalhar em conjunto com outras pastas no tema da segurança viária. “Todos os ministérios são importantes. O da Educação, por exemplo, pode ajudar na conscientização dos jovens. O do Trabalho, na execução de planos de ação em segurança no trânsito nas empresas. O da Saúde, com aspectos técnicos trazidos pelos médicos”, explicou. 
As políticas públicas para a área são definidas com base nas informações do Observatório Interministerial de Segurança Viária, que coleta e sistematiza os dados de todos os ministérios sobre o tema. “É preciso conhecer as características de acidentalidade viária, do contrário não é possível tomar decisões. Temos que saber quem dirige, quando dirige, se são jovens ou não etc. Quando analisamos os dados dos acidentes, podemos estabelecer relações com outras políticas, como a de mobilidade”, esclareceu Valmain. 
De acordo com ele, 21% das mortes são de jovens de 18 a 24 anos. Uma super-representação, já que essa faixa etária representa apenas 9% da população. Outro grupo bastante vulnerável é o de motociclistas. Ainda segundo o especialista, enquanto as motos são apenas 2,5% da frota total de veículos na França, seus condutores representam 25% das mortes em acidentes de trânsito. Além disso, 30% das ocorrências fatais tem o álcool como fator – desses casos, 92% dos envolvidos são do sexo masculino. 
Segundo o especialista, a prioridade é mudar o comportamento dos motoristas. Uma das formas de se fazer isso é por meio do controle e da sanção. Valmain relatou que há dez anos o governo francês implementou um sistema automatizado de radares que possibilita que a multa chegue à casa do infrator dois dias após o flagrante da infração. “Controle e punição devem estar ligados. As pessoas precisam saber por que são punidas. É necessário um trabalho de formação e educação, e a realização de campanhas de comunicação. Se quisermos ter uma politica de segurança eficaz, temos que dar prioridade à mudança de comportamento. É preciso fazer a conscientização, desde a mais tenra idade, de que a segurança viária é importante”, defendeu Valmain, para quem a prevenção deve ser prioridade. Uma das ideias que vem sendo executadas pela Delegação Interministerial pela Segurança Viária é a disponibilização obrigatória de bafômetros nos estabelecimentos noturnos, como bares e discotecas, com equipamentos fornecidos pelos próprios proprietários das casas noturnas. 
Após a exposição de Valmain, foi a vez da palestra de Émilie Vasquez, do setor de Negócios Internacionais do Civipol, conselho pertencente ao Ministério do Interior da França dedicado à exportação do conhecimento francês nas áreas de polícia, fiscalização e segurança civil. Ela explicou como funciona a transmissão da experiência do país em matéria de segurança viária e policiamento a outras nações de diversos continentes. Ela destacou um trabalho de modernização da polícia de trânsito em Beirute, no Líbano. 
Antes da conferência, o Detran/RS e o governo francês assinaram um memorando de cooperação que garantirá a troca de informações e projetos voltados à segurança viária. 


Ivan Trindade
de Porto Alegre


Espírito Santo aposta em programa multidisciplinar para reduzir acidentes na Grande Vitória




O Secretário Estadual de Transportes e Obras Públicas do Espírito Santo trouxe ao Congresso Internacional de Trânsito a experiência capixaba no combate aos acidentes, mortes e lesões em ruas e estradas. Fábio Damasceno apresentou, na tarde dessa quinta-feira (19), o projeto “Juntos pela Vida”, implantado em novembro de 2011 na Grande Vitória, região responsável por 95% dos acidentes no Estado. 
Para conter a explosão de casos, o Governo do Estado reuniu diversos órgãos: “Sabíamos que apenas uma política multidisciplinar poderia resolver. Sendo assim, reunimos as secretarias da Saúde, Educação e Segurança, além do Detran, polícia e corpo de bombeiros para elaborar o programa”. 
O “Juntos pela Vida” se sustenta em três pilares: educação, infraestrutura e fiscalização. “Levamos o programa para as escolas e até 2014 queremos ter alcançado 80% das salas de aula. Treinamos cinco mil professores para que eles incluíssem questões do trânsito nas matérias regulares”. 
Com relação à infra-estrutura, o Espírito Santo está investindo na manutenção das rodovias, tanto em operações tapa-buraco, quanto na renovação da sinalização horizontal e vertical. O número de operações de fiscalização aumentou consideravelmente, com e sem o uso do bafômetro. “Estamos equipando diversas vias importantes da grande Vitória com pardais e câmeras de sinaleira.”
Além disso, o Estado criou mais Jaris (Juntas Administrativas de Recursos de Infrações) para acelerar o julgamento dos recursos à multas. “Hoje, temos casos que levam até sete anos para serem julgados, o que significa impunidade. Nossa meta é reduzir para menos de um ano”, explicou Damasceno.
Mesmo com apenas seis meses de atuação, o programa Juntos pela Vida já apresentas resultados importantes. “Nos primeiros seis meses de 2011 tivemos 12.422 acidentes, com 71 mortes. No mesmo período de 2012, foram 11.455 acidentes, com 52 mortes”, revelou Damasceno. 


Ivan Trindade
de Porto Alegre


Executiva da TAC encerra Congresso afirmando que é preciso coragem para reduzir acidentes no trânsito

19.07.2012 - 18:00








Janet Dore, executiva-chefe da Transport Accident Comission, órgão da província de Victoria, na Australia, encarregado dos seguros de acidentes de trânsito, encerrou o Congresso Internacional de Trânsito nesta quinta-feira (19), falando sobre as ações da TAC na redução de acidentes, mortes e lesões no trânsito. Ela ilustrou sua fala com diversos dos mundialmente famosos filmes produzidos pela TAC, conhecidos pelas imagens impactantes e as mensagens diretas que atacam as causas mais comuns das ocorrências nas ruas e estradas de todo o mundo. 
Perguntada sobre o porquê dos vídeos serem muitas vezes chocantes, Janet aproveitou para dar um recado aos agentes de trânsitos e governos: “É preciso ter coragem. Quando a TAC mostrou seu primeiro comercial, em 1989, eram registradas quase 800 mortes no trânsito em Victoria, um estado pequeno do país, com menos de 6 milhões de habitantes. Em 2011, esse número havia caído para 278. Hoje sabemos que apenas através de mensagens fortes conseguimos que as pessoas se engajem nas campanhas e mudem suas atitudes diárias. No início, os governantes de Victoria ficaram temerosos, mas hoje nos apoiam completamente. Seguiremos trabalhando, porque o único número aceitável é zero”. 
Janet esclareceu a área de atuação da TAC: “Além de uma agência de prevenção de acidentes, somos o órgão estatal que gerencia o seguro por acidentes terrestres e financia os serviços de atendimento de urgência e também hospitalares e de cuidados de longo prazo. Muitas das vítimas dos acidentes se tornam nossos clientes pelo resto da vida, e o custo disso é altíssimo. Um tetraplégico de 25 anos vai viver mais 40 ou 50 anos e os cuidados anuais com sua saúde chegam a A$ 1 milhão (em dólar australiano, equivalente aproximadamente a R$ 2 milhões). Por isso, eu sou uma CEO que quer que o seu negócio acabe. Quero não ter mais clientes”. A dirigente explicou ainda que a TAC surgiu após o governo de Victoria identificar que o sistema privado não estava funcionando, e deixava as pessoas desassistidas, com muitas dificuldades na hora de obter os seguros: “Nós agimos segundo um sistema de ‘apesar da culpa’. Tratamos todos os envolvidos nos acidentes de forma igual”. 
Com orçamento anual de A$ 1,3 bilhão (arrecadados majoritariamente do seguro que cada dono de veículo paga anualmente) e mais de A$ 7 bilhões em caixa, Janet afirmou que a TAC gasta cerca de A$ 1 bilhão por ano com indenizações e tratamentos. O restante do dinheiro vai para o financiamento dos serviços de atendimento e resgate, projetos de segurança no trânsito e para as campanhas de educação na mídia. Quanto a essas campanhas, Dore garantiu que todos os filmes e ações estão fundamentados em dados retirados dos prontuários de acidentes, assim como de pesquisas diretas com os habitantes do estado, sendo analisados por estudiosos. Ela revelou que a TAC mantém uma Universidade em Victoria que se dedica apenas à segurança no trânsito. 
“Nossos dados, depois de analisados, nos mostraram que o álcool é o grande fator de risco no trânsito, dai criamos a campanha Bloody Idiot” (Grande Idiota e/ou Idiota Sanguinário, em um jogo de palavras de duplo sentido em inglês). Essa expressão tornou-se comum entre os australianos e relaciona o ato de dirigir alcoolizado a uma tremenda estupidez, que resulta em muito sangue. “Lembro do horror dos nossos governantes com o uso de um palavrão no filme. Depois dessa campanha, os dados identificaram que grande parte da população considerava que o álcool só era risco quando a pessoa estava muito bêbada. Então, criamos a campanha Only a Litle Bit [só um pouco acima do limite], que mostrava que mesmo uma pequena quantidade de álcool acima do limite legal pode causar grande estrago”. 
A seguir, Janet falou do excesso de velocidade, outro grande vilão no trânsito de Victoria: “Sobre o excesso de velocidade, criamos a campanha Don’t fool yourself, speed kills (Não se engane, a velocidade mata), que mostrava que muitas vezes trafegar apenas 5km/h mais lento pode fazer toda diferença entre a vida e a morte. Da mesma forma que com a campanha sobre o álcool, as pessoas apoiaram completamente a ação, mas também admitiam que excediam o limite de velocidade”. Por isso, Janet frisou que a apenas as campanhas publicitárias não resolvem. A segurança de trânsito deve ser feita nas ruas: “Nesses 20 anos de existência, a TAC financiou a compra de bafômetros, radares fixos e móveis, câmeras de flagrante de avanço de semáforo. Da mesma forma, criamos os ‘booze buses’ (ônibus da bebida), que são espaços educativos voltados principalmente para os jovens, onde eles podem inclusive fazer o teste do bafômetro. E lá é obrigatório fazer o teste. Não há saída!”. 
Os jovens foram os alvos seguintes da TAC, já que são grande parte das vitimas: “Entre 19 e 25 anos, os jovens acumulam muitos fatores de risco ao dirigir, como a inexperiência, a distração, o sentimento de segurança pela idade e o uso de álcool e drogas. Nossa campanha teve o título Your mate’s life is in your hands (A vida do seu parceiro está nas suas mãos), e pediu aos jovens que fizessem filmes falando sobre o tema. A resposta foi impressionante. Nossas pesquisas mostraram que os jovens respondem muito mais quando a mensagem lhes chega através de seus iguais”, atestou Dore. 
Janet Dore falou ainda do uso das redes sociais nas ações de segurança no trânsito, dando como exemplo uma campanha no Facebook: “Uma cidade de menos de 50 habitantes em Victoria, chamada Speed (Velocidade), se prontificou a mudar de nome por um mês para Speedkills (Velocidade mata) caso nossa página reunisse 10 mil curtidas. Conseguimos isso em apenas um dia. Até mesmo um morador desta cidade, chamado Phil Down (para baixo, para menos) se ofereceu para mudar seu nome para Phil Slowdown (Desacelere) se tivéssemos 20 mil curtidas... e conseguimos isso em uma semana”. 
Para encerrar sua conferência, Janet Dore fez um apelo à platéia: “Vim aqui para ouvir. Só porque resolvemos ser ousados, não quer dizer que temos todas as respostas. Ouvi muita coisa boa aqui, que vou levar comigo. Nossas palavras precisam virar ações, pois são as ações que salvam vidas”. 


Ivan Trindade
de Porto Alegre

Fonte: http://www.congressodetransito.rs.gov.br/noticias - Acesso em 21/07/2012

ONG Criança Segura divulga ranking dos estados campeões em atropelamentos de crianças


O trânsito é responsável pela principal causa de morte, entre os acidentes, de crianças e adolescentes até 14 anos no Brasil. Do total de lesões que vitimam a criança no trânsito, a maior parte, 38%, corresponde aos atropelamentos. Para entender os dados mais profundamente, gerar alerta para as medidas de prevenção desta lesão e incentivar a adoção de políticas públicas que visem reduzir estes acidentes, a CRIANÇA SEGURA realizou um estudo tendo como base números de mortalidade de 2010, os mais atuais divulgados pelo Ministério da Saúde.
Foram 1.895 mortes de crianças de 0 a 14 anos no trânsito, 711 que vitimaram a criança na condição de pedestre. Outras 7.392 foram internadas devido a atropelamentos. Os pequenos são mais vulneráveis a este perigo porque estão expostos às condições de tráfego que superam sua capacidade de percepção do risco.
As idades e sexo das crianças vítimas destes acidentes também foram considerados. As mortes com crianças de 10 a 14 anos representaram 35%, com crianças de 5 a 9 anos 34%, de 1 a 4 anos, 28% e 3% no caso das crianças com menos de 1 ano. Os meninos foram vítimas quase duas vezes mais que as meninas, sendo 65% das mortes por atropelamentos com garotos e 35% envolvendo garotas
Ranking por regiões e unidades da federação
O estado de Sergipe foi o campeão em mortes de crianças vítimas de atropelamentos, com taxa de 2,88 por cem mil habitantes menores de 15 anos, seguido de Tocantins, com 2,76, Goiás com 2,50, Santa Catarina, com 2,28 e Alagoas, com 2,20. O Amapá apresentou a menor taxa: 0,90.

Crianças são mais vulneráveis aos atropelamentos
Ainda em desenvolvimento, são incapazes de discernir a velocidade e distância dos veículos, direção de onde vêm os sons, tem a visão periférica limitada (não enxergam nas laterais) e, devido à sua estatura, nem sempre podem ser vistos pelos motoristas. O imaginário infantil também influencia neste caso: as crianças são capazes de acreditar que podem sair ilesas após uma batida – assim como assistem nos programas de TV por exemplo.

Além destas dificuldades, o ambiente em que transitam as crianças apresenta um grande potencial de risco e poucas condições de segurança para os pedestres. Entre outros fatores que causam o atropelamento, está a ausência de uma campanha educativa para motoristas e pedestres, desrespeito aos limites de velocidade, falta de calçadas, sinalização ineficiente, vias e rodovias projetadas sem os devidos cuidados para pedestres e a falta da cultura do respeito às leis. No entanto, a principal causa destes atropelamentos, pode estar relacionada à falta de um adulto com as crianças quando elas estão no trânsito.
Prevenindo os atropelamentos
Para prevenir este acidente, os responsáveis devem supervisionar sempre até que a criança demonstre habilidades e capacidade de julgamento do trânsito. Isto se dá a partir dos 10 anos aproximadamente. Além disso, devem adotar algumas medidas:

- segurar sempre a criança, firme, pelo pulso, enquanto estiverem caminhando na rua;
- não permitir a brincadeira em locais que não são adequados como entradas de garagens, quintais sem cerca, ruas ou estacionamentos;
- acompanhar a criança para identificar o caminho mais seguro e ensinar a completá-lo de forma segura e cuidadosa.

Além de dar o bom exemplo, os responsáveis também devem ensinar a criança:
- a olhar para os dois lados várias vezes antes de atravessar a rua;
- utilizar a faixa de pedestres sempre que disponível;
- obedecer aos sinais de trânsito;
- não atravessar a rua por trás de carros, ônibus, árvores e postes;
- nunca correr para a rua sem antes parar e olhar se vem carro – seja para pegar uma bola, o cachorro ou por qualquer outra razão;
- esperar que o veículo pare totalmente ao desembarcar do ônibus e aguardar que ele se afaste para atravessar a rua.

Fonte: 

15 de jul. de 2012

Sistema inteligente pode evitar distração do motorista






 
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A distração dos motoristas é uma preocupação que vem crescendo no mesmo ritmo em que novos dispositivos de comunicação móvel são lançados no mercado. Os engenheiros do laboratório de Pesquisa e Inovação da Ford, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo tecnologias para ajudar o motorista a manter a atenção no trânsito, com o gerenciamento inteligente da comunicação a bordo. 


 "Estamos pesquisando modos de usar a inteligência do veículo para ajudar o motorista", diz Jeff. Greenberg, líder técnico de Pesquisa e Inovação da montadora. "Dados de comando do veículo, dos sensores e condições da pista, e informações biométricas, como o pulso e respiração do condutor, podem ser usados para avaliar a sua carga de trabalho e ajudá-lo nas situações em que está sobrecarregado."
Informações dos sistemas de assistência ao motorista podem ser usadas para avaliar as condições externas e o comportamento de quem está dirigindo. Ao mesmo tempo, a montadora norte-americana continua as pesquisas na área da saúde e bem-estar, com o desenvolvimento de banco biométrico e sensores de cinto de segurança e direção, que podem monitorar e avaliar com mais precisão o estado do condutor.
O avaliador de carga de trabalho do motorista é um algoritmo que analisa dados em tempo real dos sensores do veículo, como radares e câmeras, combinados com os comandos de uso do acelerador, freios e direção. O resultado é um sistema inteligente que permite o gerenciamento das comunicações a bordo com base na carga de trabalho em cada situação.
Os radares do sistema de monitoramento de pontos cegos, por exemplo, e a câmera de visão dianteira do sistema de manutenção do carro na faixa estão sempre a postos, mesmo quando não há nenhum alerta a ser feito ao condutor. Esses recursos poderiam indicar se há tráfego intenso na faixa quando se acessa uma rodovia.
Combinando esse conhecimento com o fato de o motorista ter pisado no acelerador para aumentar a velocidade, o avaliador de carga de trabalho pode determinar que não é uma boa hora para atender a uma ligação do celular. O carro poderia, inteligentemente, aplicar o dispositivo "Não incomode", que já está disponível no sistema MyFord Touch, ajudando o motorista a manter a atenção na pista.

Dados biométricos
"Além de usar os dados já disponíveis nos veículos, estamos pesquisando novos caminhos para entender melhor o nível de tensão do motorista", diz Gary Strumolo, gerente de Infotrônica da área de Pesquisa e Inovação da Ford. "Informações biométricas e de saúde do motorista podem nos ajudar a criar uma experiência melhor de direção."
O uso de sensores biométricos voltados ao motorista ajudará a criar uma visão mais completa da sua carga de trabalho. A equipe de pesquisa construiu um assento biométrico para testar diferentes sensores e reunir dados sobre como o motorista responde a uma série de situações, com o objetivo de criar um modelo de comportamento. O sistema experimental utiliza sensores instalados no aro e raios da direção para captar informações. Qualquer pessoa que já tenha usado um aparelho de ginástica moderno, como esteiras, está familiarizada com esses sensores de batimento cardíaco. 
Sensores infravermelhos na direção monitoram as palmas das mãos do motorista e o seu rosto para captar mudanças de temperatura. Outro sensor sob a coluna de direção mede a temperatura da cabine para ser usada como base de comparação. Por fim, mais um sensor instalado no cinto de segurança avalia a respiração do motorista.
Com uma visão mais completa das condições de saúde e bem-estar do condutor, combinada com dados do que acontece fora do veículo, o carro terá condições de ajustar dinamicamente os seus alertas. Se o motorista enfrentasse um congestionamento, o sistema poderia aumentar a frequência de alertas de colisão dianteira e filtrar automaticamente ligações de celular e mensagens, dando ao motorista mais tempo para responder. Mas se o carro está em pista livre, ele permitiria o atendimento de ligações. "Esses dispositivos ainda estão em pesquisa, mas mostram as grandes oportunidades que temos de aproveitar os dados já existentes nos veículos para criar um sistema inteligente de tomada de decisões e simplificar a experiência de direção", completa Strumolo.

6 de jul. de 2012

Especialista critica banalização das infrações de trânsito

“Somos nós os assassinos no trânsito.” A afirmação, do consultor em transporte e trânsito Osias Baptista Neto, marcou a abertura do último dia do Ciclo de Debates Siga Vivo: pelo fim da violência no trânsito, na manhã desta sexta-feira (6/7/12), no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ele proferiu a palestra “Acidentes de trânsito: quem matamos e quem morremos?”.

O consultor fez uma comparação entre os esforços do poder público e da sociedade no combate à dengue, à Aids e aos acidentes de trânsito – em sua opinião, três grandes vilões que reduzem a expectativa de vida dos brasileiros. Segundo ele, a dengue mata 2.000 cidadãos por ano no País e a Aids, 12.000. Já os acidentes de trânsito provocam a morte de 40.000 pessoas anualmente. “A mobilização contra a dengue é intensa e envolve grande esforço dos governos. O Brasil já chegou a ter o maior programa de prevenção à Aids do mundo. E a violência no trânsito?”

Para Baptista, é mais fácil lutar contra um mosquito ou um vírus do que enfrentar a si mesmo. “Nós todos nos identificamos com o infrator de trânsito, porque muitas vezes consideramos esse tipo de infração irrelevante”, disse. Ele lembrou que muitos sentem pena de um motorista que teve seu carro rebocado por estacionar em local proibido. “Por que houve tanta reação contra a lei seca?”, questionou.

O especialista afirmou que a solução para a violência no trânsito passa por uma mudança de postura de toda a sociedade. “Ao invés de reclamarmos do grande número de radares no Anel Rodoviário, deveríamos dar graças a Deus por não encontramos um maluco a 160 km/hora. O radar salva vidas”, exemplificou.

Baptista defendeu ainda as punições contra os motoristas infratores e criticou aqueles que fazem campanha contra as multas. “O agente de trânsito só é obedecido se puder multar. É a única forma eficaz de coibir abusos”, enfatizou. Ex-presidente da BHTrans, ele afirmou que a empresa é integralmente de capital público e que não existe “indústria de multas”.

O palestrante cobrou maior envolvimento do poder público com o tema, especialmente da Presidência da República, e maior agilidade na tramitação de projetos de lei relacionados ao transporte e trânsito no Congresso Federal. “É preciso priorizar ações contra a violência no trânsito, fazer investimentos.”

A deputada Maria Tereza Lara (PT), vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da ALMG, disse que o relatório do Siga Vivo será levado ao conhecimento do governo federal. “Defendemos o somatório de esforços das três esferas do poder e da sociedade civil”, afirmou. Participaram ainda dos debates os deputados João Leite (PSDB), presidente da comissão, e Bosco (PTdoB), que preside a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia.

Fonte:

3 de jul. de 2012

Simulador mostra que sono equivale a embriaguez no volante

Motorista de táxi, monitorado pelo Instituto do Sono, apresenta queda nos reflexos e no tempo de reação ao longo de cinco testes realizados.


Pedro Leonardo sofreu o acidente porque estava dirigindo cansado, na volta de um show. Saiba o que acontece quando um motorista pega no volante depois de 20 horas sem dormir.

As imagens gravadas por uma empresa americana de monitoramento de veículos mostram um taxista cochilando ao volante. E pior: sem cinto de segurança!!! O carro capota! Felizmente, ele sobreviveu.

Mas em muitos casos não é isso que acontece. No Brasil, a Polícia Rodoviária Federal registrou, em 2011, mais de 4,4 mil acidentes com condutores que dormiram enquanto dirigiam. Foram 286 mortes, só nas estradas federais.

Para tentar diminuir esses números, o cantor Leonardo participou de uma campanha de conscientização dos motoristas.

Durante as gravações, ele falou sobre o acidente do filho Pedro.

“O meu filho sofreu um acidente porque estava dirigindo cansado depois de um show. Mas a gente só para pra pensar quando acontece com a gente”, diz Leonardo.

E fez um apelo. “Quando for dirigir, seja nas ruas, seja na estrada, proteja sua vida e a vida dos outros”.

Seu Nogueira pode se dizer um homem de sorte. Taxista de São Paulo, ele admite que já dormiu ao volante. Mais de uma vez.

“Hoje eu abuso menos. Se eu sentir sono, hoje eu paro e durmo”, afirma o taxista Antônio Nogueira.

A proposta é que o seu Nogueira fique o tempo todo monitorado, e passe por várias avaliações, e principalmente, fique 20 horas sem dormir.

Na hora marcada, o taxista chega ao Instituto do Sono, um centro de pesquisa em São Paulo. Primeiro, faz os testes bem descansado. Vai passar o dia trabalhando e, entre uma corrida e outra, volta para ser avaliado. A cada quatro horas, os pesquisadores medem o seu equilíbrio e a sua rapidez de reação. Quando a luz acende, ele precisa apertar o botão o mais rápido possível.

Na quinta e última avaliação que o seu Nogueira fez no Instituto do Sono, ele ficou pelo menos 20 horas sem dormir.

“Está ficando cada vez mais complicado. Talvez se tivesse mais um teste, não daria pra fazer todos”, diz seu Nogueira..

Os resultados finais não deixam dúvida: o taxista sentiu o baque das horas sem descanso. O equilíbrio foi bastante afetado, principalmente no teste de olhos vendados.

“A gente observou nos dados que aproximadamente próximo a 19, 20 horas acordado, ele aumentou quase 290 a 300% a oscilação dele em cima da plataforma”, observou o pesquisador do Instituto do Sono Marco Túlio de Mello.

“O tempo de reação dele aumentou muito. Dezenove horas acordado, faz com que você não tenha reflexo, não tenha agilidade motora, não tenha concentração, e aí é como se você tivesse bebido para poder dirigir”, conclui.

Ainda levamos o seu Nogueira para dirigir num simulador depois de uma noite sem sono. A falta de familiaridade com a máquina ajudou, mas o cansaço era indiscutível.

“No virtual, no real, sono só tem um jeito: é dormir”, aconselha seu Nogueira.

Quando você em casa estiver cansado e precisar dirigir, lembre-se dessa dica:

“Dê um cochilo de pelo menos vinte minutos. É muito mais eficiente do que qualquer outra estratégia pra enganar o nosso organismo”, garante Marco Túlio Mello. 

Fonte: 

29 de jun. de 2012

Acidente ou Acidente?, por Archimedes Azevedo Raia Jr.


“Acidente" é a palavra comumente aceita, no Brasil e em vários países, para se denominar uma ocorrência envolvendo um ou mais veículos de transporte em uma colisão, que resulta em danos materiais, ferimentos ou morte. O termo "acidente", na acepção da palavra, implica em um evento aleatório que ocorre sem nenhuma razão aparente que não seja o "simplesmente aconteceu".
 
Quem já não esteve envolvido em situações em que algo ocorreu e que fora de maneira não intencional, como a queda do copo de refrigerante na camisa de um interlocutor, por exemplo? A reação imediata da pessoa poderia ter sido "desculpe, foi apenas um acidente".
 
A definição de acidente, segundo o Dicionário Aulete, é “acontecimento imprevisto, inesperado”, “acontecimento infeliz, desastroso, que pode causar danos, ferimentos, e até a morte”. Portanto, está claro que o acidente é algo absolutamente imprevisto, aleatório, inesperado.
 
Na língua americana tanto a palavra “crash” quanto o termo “accident” tem sido usadas para denominar o mesmo fato, ou seja, uma batida ou trombada, um acidente de trânsito.

A palavra "crash" não é uma terminologia universalmente aceita em todos os modos de transporte; ela é mais comum no contexto do transporte rodoviário e de ocorrências de trânsito. A tradução dos termos para o português tem sido a mesma: acidente.
 
A Agência Nacional de Segurança de Tráfego Rodoviário (National Highway Traffic Safety Administration), ligada ao Departamento de Transportes americano, propôs a substituição da palavra "accident" pela palavra "crash". A adoção da palavra "crash" teria o significado de que a colisão poderia ter sido evitada ou seu efeito minimizado ou modificado pelo comportamento do condutor, pelo projeto do veículo (chamado de "resistência ao choque"), pela geometria viária ou pelo ambiente viário.
 
A ocorrência de um acidente de trânsito, em geral, representa um desafio para os peritos em segurança viária. Em todos os casos, surge a questão: "Que sequência de eventos ou circunstâncias contribuiu para a ocorrência do incidente que resultou em lesão, perda de vidas ou danos à propriedade?".
 
Em alguns casos, a resposta poderia ser simples. Por exemplo, a causa de um único carro acidentado poderia ser pelo fato que o motorista adormeceu ao volante, atravessou o acostamento, e bateu em uma árvore.
 
Em outras situações, a resposta poderia ser bem mais complexa, envolvendo muitos fatores que, agindo em conjunto, causaram o acidente.
 
Um exemplo conhecido, fora do setor rodoviário, pode tornar esta questão mais clara. O acidente envolvendo o Boeing 737 do voo 1907, da Gol, e o EMB Legacy, da ExcelAir, pode ter parecido uma absoluta fatalidade, já que a probabilidade de dois aviões se chocarem no ar, em trecho de cruzeiro, é ínfima. No dia 29 de setembro de 2006, em sua viagem inaugural, entre São José dos Campos e Manaus, O EMB Legacy chocou-se com Boeing, no nos céus de Mato Grosso. O jato da Gol caiu matando 154 pessoas.
 
A crença comum é que a causa dessa tragédia foi uma fatalidade, ainda mais pelo fato de que o choque de um avião pequeno, que teve apenas parte do seu winglet danificado, derrubou um Boeing enorme.
 
No entanto, o motivo real é muito mais complexo e envolveu muitos fatores. Dentre estes fatores associados ao Legacy, pode-se citar: o transponder estava desligado no momento da colisão, os pilotos eram inexperientes neste tipo de jato e na rota; o plano de voo estava errado, os controladores foram omissos, os controladores não conheciam bem a linguagem corrente para comunicação na língua inglesa, os pilotos estavam mais preocupados com a aterrissagem em Manaus do que com a viagem em si, etc.
 
Com base neste exemplo, é possível construir uma lista abrangente de categorias de circunstâncias que poderiam influenciar a ocorrência de acidentes de transporte. Se os fatores que contribuíram para a ocorrência de colisão são identificados, é possível, então, modificar e aperfeiçoar o sistema de transporte e trânsito.
 
Quer-se deixar claro que o evento envolvendo as duas aeronaves não foi um acidente (accident) e sim um acidente (crash).
 
Entender que a ocorrência desses fatos lamentáveis, principalmente no Brasil, é fundamental. Isto é necessário para que não se trate eventos que ocorrem diariamente no território nacional com uma visão fatalista e sim como algo previsível, na medida em que uma série de ações obrigatórias, necessárias para que o transporte seja feito com segurança, sejam desrespeitadas.
 
No futuro, com a mitigação ou eliminação dos fatores causadores de acidentes (crashes), é provável que venha a resultar em sistemas de transporte e trânsito mais seguros.
 
Ainda que as causas dos acidentes sejam, em geral, complexas e envolvem vários fatores, a literatura especializada em segurança de trânsito, as classifica em quatro categorias distintas: ações por parte do motorista ou condutor, condição mecânica do veículo, características geométricas da rodovia, e do ambiente físico ou climático em que o veículo opera.
 
A partir destas considerações, fica claro que, na verdade, os acidentes, na maioria dos casos, não são acidentes (accidents) e sim acidentes (crashes). Pode parecer uma questão puramente semântica, porém, se justifica pelo fato de o brasileiro ter a ideia de que os acidentes são “fatalidade”, “destino”, “sina”, “tinha que acontecer”, etc.
 
É preciso incutir na mente dos brasileiros, responsáveis por aquelas quatro categorias de fatores, de que se o motorista/condutor não cumpre rigorosamente as leis de trânsito, a consequência espera é o acidente. Se os veículos não são conservados de maneira adequada ou seus projetos são falhos, pode-se prever que o acidente venha a ocorrer.
 
Por outro lado, se o engenheiro não fizer um projeto geométrico da via de maneira adequada, se o órgão gestor não fizer a manutenção da via e sua sinalização periodicamente, o resultado será acidente.
 
Nascida na Suécia, em 1997, a filosofia Visão Zero não aceita que pessoas percam a vida ou fiquem seriamente lesionadas em acidentes de trânsito. Hoje, ela está disseminada por um número grande de países, e imputa aos diversos atores do sistema de trânsito as devidas responsabilidades pela ocorrência dos acidentes.
 
De maneira análoga, poder-se-ia responsabilizar e punir, os motoristas/condutores e pedestres pelos seus comportamentos inadequados, os gestores de trânsito (prefeituras, DERs, DNIT, etc.) pela falta de manutenção das vias e sinalização, os projetistas pelas falhas de projetos, os políticos pela legislação branda ou ineficiente, etc.

Em suma, se a Visão Zero já estivesse implantada no Brasil, todos estes atores citados acima, mais diretamente envolvidos nas causas dos acidentes, e tantos outros envolvidos de maneira menos direta, seriam judicialmente responsabilizados e punidos pelas mais de 42 mil mortes ocorridas anualmente no país. Estas mortes não são fatalidade; são frutos de comportamentos desidiosos dos diversos atores do sistema de trânsito brasileiro.

Prof. Dr. Archimedes Azevedo Raia Jr.
Engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela USP, professor, coordenador do Núcleo de Estudos em Engenharia e Segurança de Tráfego Sustentável da UFSCar. Presidente da Comissão Permanente de Segurança de Trânsito da UFSCar. Coautor do livro "Segurança no Trânsito", Ed. São Francisco. E-mail: raiajr@ufscar.br.
 
Fonte:  

27 de jun. de 2012

XII Prêmio Denatran de Educação no Trânsito

Atualizado em 26 de junho de 2012

Edital do XII Prêmio Denatran

  



Inscrições abertas a partir de 02 de julho de 2012 

XII Prêmio de Educação no Trânsito 

O Prêmio Denatran de Educação no Trânsito elege anualmente os melhores trabalhos produzidos sobre o tema Trânsito. O concurso, promovido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), tem o objetivo de incentivar diversos setores da sociedade a refletirem sobre aspectos relativos à segurança, ao respeito e a cidadania no trânsito. 

Dúvidas referentes ao concurso – premio.denatran@cidades.gov.br

Fonte:

Aplicativo gratuito Trapster facilita sua vida no trânsito

Trapster sugere rotas menos congestionadas e mostra pontos de interesse.

O Trapster é um aplicativo totalmente gratuito que facilita a vida dos motoristas que trafegam por regiões movimentadas ou desconhecidas. Com base nos mapas da Navteq, os mesmos utilizados pela Nokia, o Trapster alerta o condutor sobre tudo que pode atrapalhar uma viagem, como avenidas congestionadas, alagamentos ou incêndios próximos ao local.

Além de alertar sobre os problemas que você poderá encontrar pelo caminho, o Trapster também mostra pontos de interesse no mapa, como bancos, postos de gasolina, restaurantes e estacionamentos — se quiser fazer uma pequena pausa, o aplicativo também mostra as Starbucks mais próximas. E o Trapster também pode ajudar nas horas que você precisar encontrar uma delegacia de polícia ou posto de bombeiros.



Trapster é gratuito, colaborativo e está disponível para iOS, Android, Windows Phone e outras plataformas.

O aplicativo é colaborativo e possui integração com uma rede social própria, que já conta com mais de 15 milhões de usuários. Com um cadastro online gratuito, os motoristas podem informar os problemas que encontraram no caminho. Se você estiver passeando pela cidade e dirigir por uma rua cheia de pais indo buscar seus filhos na escola, por exemplo, basta tocar no botão “Informar” uma área escolar para alertar os outros motoristas. Assim você e outros poderão utilizar caminhos alternativos para economizar tempo.

O Mobilon aproveitou para testar o Trapster durante uma viagem a uma loja de música, que fica localizada numa região movimentada da capital paulista. No trajeto, o Trapster poupou tempo (e paciência) do carinha que paga meu salário, indicando rotas menos congestionadas e sugerindo restaurantes novos. O resultado você confere no vídeo:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rVdJNcfPDvA

Totalmente gratuito e com suporte ao português do Brasil, o Trapster possui versões compatíveis com as principais plataformas do mercado: iOS, Android, Windows Phone, Windows Mobile, Symbian, BlackBerry e até Palm. Ele também pode ser instalado nos aparelhos de GPS da Garmin e da TomTom. Os links para download estão disponíveis na página oficial do aplicativo.