28 de jan. de 2015
10 coisas que todo motorista de carro deveria saber sobre caminhões antes de pegar a estrada
1 – Eles são mais lentos
Pode reclamar, ficar bravo, espernear, mas não tem o que fazer, a velocidade máxima permitida por lei para um caminhão é 90km/h, logo, não importa se a pista permite que o carro vá a 120, quando um caminhão for ultrapassar outro veículo, ele deverá ir, no máximo, a 90km/h. Por isso, tenha paciência, não dê farol alto, não buzine, não xingue. Muito melhor um caminhão que respeita esse limite que um em alta velocidade colocando todos em risco.
2 – Eles têm menos agilidade
Claro, afinal, são muito maiores. Por isso, se um caminhão começar uma manobra a sua frente, não aumente a velocidade para impedir que ele continue, não jogue o carro pra cima, apenas tenha paciência, já já ele volta pra pista dele, até porque, se ele for pego fora da faixa da direita sem um motivo, ele leva multa, então assim que ele terminar a manobra ou a ultrapassagem, ele deve voltar pra sua faixa, e você pode seguir sua viagem.
3 – Eles são mais altos
E, por esse motivo, as vezes, a faixa da direita pode ser um problema, principalmente quando as árvores da lateral da pista não são podadas corretamente. Aí, para não chocar o caminhão com algum galho, o motorista pode recorrer à faixa do meio. Por isso, quando um caminhão invadir a faixa do meio aparentemente sem motivos, dê uma olhada em volta antes de julgá-lo.
4 – Eles sentem mais os buracos da pista
E esse é outro motivo que faz com que eles, as vezes, fujam da faixa da direita, que costuma ser mais irregular. Se o motorista está arriscando tomar multa e andando na faixa do meio, ele deve ter um bom motivo pra isso, que também pode ser faixa da direita muito estreita, pedaços de outros veículos no acostamento e tantas outras coisas.
5 – Eles enxergam mais longe
Você pediu passagem (dando seta para a esquerda e não farol alto) e o motorista respondeu com seta pra esquerda também? Entenda o sinal. Ele não quer ultrapassar outro veículo antes de você. O mais provável é que ele, por ver mais longe, esteja vendo outros veículos vindo na direção contrária e está te sinalizando que se você fizer a ultrapassagem agora, pode se envolver em um acidente. Quando ele der seta para a direita, aí estará indicando que o caminho está livre.
6 – Eles, provavelmente, estão dirigindo há horas
E podem estar cansados, sob pressão. Podem ter sido desrespeitados pelo encarregado, porteiro, carregador, policial, e por isso podem estar estressados. A atividade de motorista de caminhão é uma das que mais causa adoecimento no Brasil, por isso, tenha paciência, não provoque, não xingue, respeite essa atividade.
7 – Eles estão levando a mercadoria que você vai usar
Se você acha que caminhões atrapalham o trânsito, então imagine você tendo que ir na horta buscar suas verduras e legumes, na roça buscar seu arroz, no pasto buscar sua carne e até pro Pará buscar seu açaí, será que dá? Não, não dá. Então, se você ajuda a provocar um acidente com um caminhão, é a sua mercadoria que não vai chegar ou que chegará mais cara.
8 – Eles são ainda mais lentos na subida
Você está vindo tranquilamente atrás de um caminhão a 90km/h, aí começou uma subida e a velocidade do caminhão caiu pra 60km/h. O que você faz? Sair pela esquerda no momento mais seguro é a melhor opção. Não é porque o motorista quis. Ele bem que preferiria continuar a 90, mas a maior parte de nossos caminhões são antigos e podem perder até 50% da sua velocidade numa subida. Por isso, não fique bravo, se vir que lá na frente tem uma subida, já saia de trás do caminhão antes ou diminua sua velocidade, evitando batidas traseiras ou colisões laterais ao tentar ir pra esquerda quando já estiver em baixa velocidade.
9 – Eles têm mais pontos cegos
Pense nos pontos cegos do seu carro, que tem mais ou menos uns 4 metros de comprimento. Agora imagine um caminhão com 15m. Os pontos cegos são muito maiores. Existe uma regra que ajuda muito os motoristas de carro: se você consegue ver o condutor de um caminhão, ele também consegue te ver. Ou seja, se você colar na traseira de um caminhão, não verá o condutor, aí ele também não te vê e um acidente pode acontecer (sem falar que é obrigatório por lei manter distância segura do veículo da frente). O mesmo vale para quando você estiver na lateral do caminhão ou quando ultrapassá-lo, não volte para a faixa colado nele, dê espaço para ter certeza que o caminhoneiro te viu entrando na frente dele.
10 – Eles precisam de (muito) mais espaço para frear
Você está trafegando a 80km/h e decide que é um bom momento para ultrapassar um caminhão. Dá uma olhada rápida e vê que tem um espaço entre os dois caminhões a sua frente. Acelera, passa o caminhão, entra na frente dele e freia para não colidir com o da frente. Freia na certeza que o caminhoneiro vai frear também. Mas o que muita gente não sabe é que enquanto um carro comum, a 80km/h, precisa de mais ou menos 40 metros para frear, um caminhão com 40 toneladas de carga precisa de 98 metros para parar, já um com 60 toneladas vai precisar de 108 metros. E tudo isso ainda pode variar de acordo com as condições da via, o tipo de carga carregada, a tecnologia do caminhão e tantas outras variáveis que fica muito difícil para o motorista de carro avaliar tudo isso em milésimos de segundo, quando decide ultrapassar. Por isso, só ultrapasse quando tiver certeza que é seguro.
Bônus: Eles são, em sua maioria, gente boa
Todo mundo tem uma história pra contar de um caminhoneiro que fez uma besteira na estrada, mas todo mundo também tem uma história de médico ruim, eletricista ruim, garçom ruim e por aí vai, ou seja, em todas as profissões tem gente boa e gente ruim. Sempre que você vir um caminhão fazendo loucura na pista, olhe em volta e veja quantos outros estão andando corretamente. Quem anda corretamente não chama atenção, por isso ficamos com a impressão que motorista de caminhão “é tudo louco”, mas não são. Use a experiência e perícia que eles têm. Comunique-se com eles no trânsito de forma amigável e verá como eles podem contribuir para uma relação mais segura e tranquila no trânsito.
Por Paula Toco
Fonte: http://www.penaestrada.com.br/noticias/mostrar/250 - Acesso em 28/012015
Detran/RS cria banco de projetos em educação para o trânsito
Mural de Projetos também serve de fonte de inspiração para outros desenvolverem seus próprios trabalhos

Crédito da foto: Frederico Sehn
Crédito da foto: Frederico Sehn
Estado - Para trazer ao conhecimento do público projetos de educação para o trânsito desenvolvidos no Estado, o Detran/RS criou um mural no seu Portal da Educação. Acessível em www.educacao.detran.rs.gov.br, o Mural de Projetos também serve de fonte de inspiração para outros desenvolverem seus próprios trabalhos.
“Existe uma impressão generalizada de que pouco se faz em educação para o trânsito. Mas há uma infinidade de projetos sendo realizados em diversos municípios que não chegam ao conhecimento do público. Além de dar publicidade a essas ações, queremos disseminar conhecimentos, subsidiar educadores e compartilhar experiências pedagógicas”, explica o chefe da Divisão de Educação do Detran/RS, Maximiliam Gomes.
Além de consultar os projetos disponíveis, instituições, escolas e até pessoas físicas que tenham um trabalho permanente de educação para o trânsito (com ações contínuas e várias atividades) podem cadastrar seus trabalhos.
Basta criar um login e senha, e preencher o formulário do site com as informações do projeto: local, instituição, categoria, público-alvo, objetivos e um resumo. Há espaço para anexar o texto na íntegra e publicar vídeos e fotos.
Programa de rádio e projeto em escolas são destaques
Entre os projetos cadastrados no mural estão o “Programa Trânsito Inteligente”, da Rádio Diário da Manha de Passo Fundo e o projeto “Trânsito nas Escolas”, realizado pelo CFC Bueno, em parceria com a Guarda Municipal de Vacaria.
O programa de rádio leva informação e curiosidades sobre trânsito à comunidade de Passo Fundo e região, se pautando pelos pilares da segurança no trânsito: educação, engenharia e esforço legal.
Já o projeto “Trânsito nas Escolas” é realizado durante todo o ano letivo em todas as escolas do município. Envolve de alunos da pré-escola até adultos do EJA, além de equipe diretiva, professores e demais membros da comunidade escolar.
No escopo do projeto já foram realizados seminário, show cultural, passeios ciclísticos, blitze educativas, gincanas, simulados de acidente, etc.
Fonte: Portal do Piratini
Leia mais no O Informativo do Vale: http://www.informativo.com.br/site/noticia/visualizar/id/62459/?DetranRS-cria-banco-de-projetos-em-educacao-para-o-transito.html#ixzz3Q9b5veNj
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19 de jan. de 2015
Um Olhar sobre as Campanhas Educativas para o Trânsito
Irene
Rios
Não deixe um acidente obrigar você a reaprender. Seja
você a mudança no trânsito.
Campanha
Semana Nacional de Trânsito 2013.
A frase da Campanha
Semana Nacional de Trânsito 2013 (disponível em http://www.youtube.com/watch?v=OXk65UArlag)
faz parte de uma campanha educativa para o trânsito, promovida pelo Ministério
das Cidades, em parceria com o Denatran. Essa campanha exibe cenas de pessoas
que, após a violência viária, precisaram reaprender a fazer coisas comuns como
andar, comer e falar.
Campanhas educativas
fazem parte do marketing social e, conforme Cobra (2010), elas buscam incidir
no comportamento do público para o seu bem e da sociedade em geral. O autor
esclarece que há dois níveis de aplicação no marketing social: o operacional que “se refere à aplicação de
programas específicos” e o estratégico que “compreende a formulação de
políticas e estratégias globais”. (COBRA, 2010, p. 101).
As campanhas
educativas para o trânsito geralmente correpondem ao nível operacional e
costumam ser difundidas por vários meios de comunicação (televisão, rádio,
internet, material impresso, dentre outros).
Conforme Pinto
(2002), os temas das
campanhas de educação para o trânsito classificam-se em:
- Gerais: peças publicitárias que tratam da questão do álcool e da direção, por exemplo.
- Sazonais: campanhas que acontecem ciclicamente, como, por exemplo, as preocupações com os períodos festivos de fim de ano.
- Específicos: temas que usualmente antecedem mudanças na legislação e/ou políticas de fiscalização. Um exemplo de tema específico são as campanhas realizadas sobre a “Lei Seca”. (Lei federal, nº 11.705, em vigor desde 20 de junho de 2008, proíbe o consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas por condutores de veículos.)
O autor esclarece ainda:
Qualquer situação de comunicação
humana compreende a produção da mensagem por alguém e a recepção dessa mensagem
por outra pessoa. O comunicador pretende influenciar comportamentos e as
reações de uma determinada pessoa (ou grupo de pessoas) e, todavia, sua imagem
tanto pode ser recebida pela pessoa a quem se destina como por pessoas a quem
não se destinava, ou por ambas. (PINTO, 2002, p. 6).
Em uma
campanha, é importante que a mensagem seja percebida pelas pessoas que a
receberão. É fundamental que a ideia seja comprada, usada e compartilhada entre
os receptores.
§ 1º
Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais,
isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada,
estacionamento e operação de carga ou descarga.
Código de Trânsito
Brasileiro
Para entender o conceito
de trânsito, publicado no Código de Trânsito
Brasileiro – CTB (BRASIL, 1997), é importante conhecer o significado de via. No
anexo 1 do CTB, consta que via refere-se à “[...] superfície por onde
transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo a pista, a calçada, o
acostamento, ilha e canteiro central” (BRASIL,
1997). Para haver trânsito, conforme a concepção que consta no CTB, é
necessário que as vias sejam utilizadas por pessoas, veículos e animais, em
movimento, ou parados. Fazem parte do trânsito, então, os motoristas, os
pedestres, os ciclistas, os animais, os veículos (em movimento ou
estacionados).
Com base nisso, é possível afirmar que o trânsito é um
ambiente público, onde todos, independentemente de classe social, de idade, ou
de classe cultural, têm os mesmos direitos e deveres. Os usuários das vias
possuem o direito de usá-las, porém têm também o dever de respeitar os demais
usuários desse espaço.
A falta de cumprimento desse dever, a falta de cuidado
com a segurança e a irresponsabilidade, como deixar de dar distância entre um
veículo e outro, realizar ultrapassagem em local proibido, deixar de parar na
faixa de pedestre para este atravessar, conduzir o veículo no acostamento,
dirigir sob efeito de álcool, dentre outros, podem resultar em uma violência
viária e na perda de vidas humanas que compartilham o espaço do trânsito. São
atitudes incoerentes que provavelmente, por meio da educação para o trânsito,
podem ser transformadas em condutas coerentes.
A educação para o trânsito está prevista no CTB
(BRASIL, 1997). Nele foi dispensado o Capítulo
VI (com seis artigos), exclusivos, ao tema. Nesse capítulo destacam-se a
criação da coordenação educacional, as campanhas educativas, a educação para o
trânsito nas escolas, as campanhas sobre primeiros socorros, as mensagens e
programas educativos. Neste texto, vamos ater-nos às campanhas educativas para
o trânsito, eventos que possuem o
objetivo de conscientizar o público-alvo sobre condutas coerentes ao transitar.
Sobre a realização de campanhas educativas
para o trânsito, o CTB determina que:
Art.
75. O CONTRAN[1]
estabelecerá, anualmente, os temas e os cronogramas das campanhas de âmbito
nacional que deverão ser promovidas por todos os órgãos ou entidades do Sistema
Nacional de Trânsito, em especial nos períodos referentes às férias escolares,
feriados prolongados e à Semana Nacional de Trânsito.
§
1º Os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão promover
outras campanhas no âmbito de sua circunscrição e de acordo com as
peculiaridades locais.
§
2º As campanhas de que trata este artigo são de caráter permanente, e os
serviços de rádio e difusão sonora de sons e imagens explorados pelo poder
público são obrigados a difundi-las gratuitamente, com a frequência recomendada
pelos órgãos competentes do Sistema Nacional de Trânsito. (BRASIL, 1997).
Desde 1990, o Denatran tem escolhido temas para a realização de campanhas
educativas para o trânsito, como: álcool e direção, pedestre, velocidade, entre
outros, para serem trabalhados, na Semana Nacional de Trânsito, comemorada
anualmente no período de 18 a 25 de setembro.
Além de campanhas realizadas na Semana Nacional de Trânsito, o Denatran
tem promovido campanhas para serem difundidas em outras datas, como Carnaval,
Semana Santa, Natal e outras.
Objetivando orientar a realização das campanhas educativas para o
trânsito, em 2009, o CONTRAN publicou a Resolução 314, que estabelece
procedimentos para o seu desenvolvimento.
Art. 1º Aprovar as
orientações para a realização de campanhas educativas de trânsito estabelecidas
no Anexo desta Resolução.
Parágrafo Único.
Para efeitos desta Resolução, entende-se por campanha educativa toda a ação que
tem por objetivo informar, mobilizar, prevenir ou alertar a população ou
segmento da população para adotar comportamentos que lhe tragam segurança e
qualidade de vida no trânsito. (BRASIL, 2009).
A Resolução 314 do Contran, em seu anexo, estabelece
os procedimentos para a realização de
campanhas educativas de trânsito. No texto, ressaltam-se que as
campanhas educativas “[...] devem orientar
cada cidadão e toda a comunidade, quanto a princípios, valores, conhecimentos,
habilidades e atitudes favoráveis e adequadas à locomoção no espaço social,
para uma convivência no trânsito de modo responsável e seguro”. (BRASIL,
2009, p. 3).
No anexo da resolução, consta que, antes da
elaboração da campanha, seja realizada uma pesquisa que:
[...] trará à luz
indicadores qualitativos e/ou quantitativos sobre a percepção da população em
relação ao trânsito: qual a sua opinião, quais as suas maiores preocupações,
quais as suas dificuldades relacionadas ao trânsito; deve detectar seu
envolvimento em acidentes de trânsito: como, quando, onde, o motivo. A pesquisa
deve considerar também as estatísticas de trânsito relacionadas a passageiros,
pedestres, condutores, examinando faixa etária, sexo, entre outras questões
importantes para determinar temas, objetivos, público-alvo. (BRASIL, 1997, p.
3).
Por
meio dessa pesquisa, será possível definir o foco da campanha educativa. Será
sobre álcool e direção, o uso da motocicleta, a segurança do pedestre, o uso do
celular ao volante, ou sobre outros temas? A pesquisa proporcionará, ainda,
dados para a escolha dos objetivos e do público alvo da campanha.
Outras
orientações apontadas na resolução 314 do Contran referem-se aos cuidados na
elaboração das campanhas de educação para o trânsito (BRASIL, 2009, p. 4). É
recomendado que as campanhas educativas devem possuir linguagens de fácil
compreensão pela população em geral e que precisam estar fundamentadas em
preceitos técnico-legais, em relação ao trânsito. Está estabelecido, também,
que o foco deve ser no ser humano, baseado na ética no trânsito, no direito de
ir e vir e na preservação da vida. Está
destacado, ainda, que sejam enfatizadas ações que ressaltem aspectos positivos,
proporcionando ao público a identificação com situações de seu cotidiano no
trânsito, levando-os à análise e à reflexão de suas atitudes.
Outro
cuidado citado na resolução 314 é com relação às abordagens negativas ou que
apresentem violência, a fim de evitar a anodinia
[Ausência de
dor; espécie de anestesia da capacidade de impressionar com algo violento e,
por conseguinte, banalizá-lo. (BRASIL, 2009, p. 5)], a qual pode ser relacionada à
“anestesia”, defendida por Duarte Jr. (2001, p. 142) - “[...] a negação do
sensível, a impossibilidade ou a incapacidade de sentir”. Na realização de uma campanha educativa, é
recomendado, pela mesma resolução, que seja realizado um pré-teste antes de sua
divulgação (Antes de expor o material produzido para a campanha
ao grande público, é necessário submetê-las a um público alvo menor, a fim de
verificar se, realmente, atendem às expectativas.) e um pós-teste após a difusão da campanha. Após a veiculação da
campanha ao grande público, deve ser realizada avaliação para que seja possível
examinar se os objetivos foram alcançados ou não. No caso das campanhas
educativas de trânsito, os indicadores a serem usados no pós-teste devem ter
foco preferencialmente nos aspectos comportamentais diretos, não tanto nos
resultados globais – e.g. em termos de redução de índices de acidentes ou de
vítimas – que podem ter influência de outros fatores. (BRASIL, 2009).
Assim, uma campanha educativa é parte de um projeto,
por isso é importante que seja planejada, aplicada e avaliada como tal.
Observamos,
assim, que a resolução 314 do Contran indica o passo-a-passo para a realização
de campanhas educativas para o trânsito. Vale lembrar, no entanto, que uma
campanha educativa eficiente deve atingir o público alvo. Conforme Pinto (2002, p. 2), a eficácia das
campanhas educativas está na capacidade que elas têm de sensibilizar o público
para o qual se destinam. Há, cada vez mais, o desenvolvimento de
campanhas educativas para o trânsito no formato audiovisual. Sendo assim, a seguir, faremos
algumas reflexões sobre o audiovisual e sua capacidade de sensibilizar o
público.
Em algum
momento da nossa vida, a linguagem audiovisual nos toca, nos sensibiliza nos
educa.
Laura Maria Coutinho
Percebemos com bastante
clareza o destaque dado por Coutinho (2006) à capacidade que o audiovisual tem
de sensibilizar e de educar as pessoas. Por meio de imagens e de sons, o
audiovisual estimula-nos a utilizar dois importantes órgãos de sentido: a visão
e a audição. Desta forma, favorece a apresentação de conteúdos e a comunicação
entre as pessoas.
Wohlgemuth
(2005, p. 12) orienta-nos: “Como a percepção do ser humano sobre o mundo
exterior é proveniente, em grande parte, da visão e da audição, as mensagens
audiovisuais possuem uma enorme capacidade de transmissão de conteúdos”. O
autor esclarece, ainda, que a visão e a audição são os sentidos fundamentais da
comunicação, que a harmonia é grande entre eles, e que o meio ambiente
transmite constantemente informações percebidas simultaneamente pelos olhos e
pelos ouvidos (WOHLGEMUTH,
2005).
Complementando os
argumentos de Wohlgemuth, sobre a importância do audiovisual, Coutinho (2006) explica que a linguagem
audiovisual é sedutora, que, em sons e em silêncios, em tons claros e escuros,
em cores cambiantes, ela cria um universo de magia e encantamento, até mesmo
quando quer ser objetiva. A autora destaca também que:
Vivemos em um
tempo no qual, praticamente, todas as pessoas são “alfabetizadas”
audiovisualmente. Vivemos imersos em um mundo de imagens, sobretudo os
habitantes das cidades. A linguagem audiovisual nos é familiar, corriqueira,
comum. (COUTINHO, 2006, p. 20).
O audiovisual vem
tornando-se cada vez mais um instrumento fundamental para a educação. Conforme
destacado por Coutinho (2006), crescemos rodeados pelas imagens e sons, que
unidos formam os audiovisuais. Seja na televisão, na internet ou no cinema, os
audiovisuais estão ao nosso redor e, por meio de seus conteúdos, eles podem
agir sobre nossas emoções, proporcionando a sensibilidade. Coutinho (2006)
realça, ainda, que eles atuam fortemente naquilo que, no homem, é sensível,
falando mais aos sentidos do que à razão.
Desta forma, os
audiovisuais, por meio de suas imagens e sons, podem transmitir conteúdos que
sensibilizam as pessoas, incentivando as condutas seguras no trânsito e
promovendo, assim, a diminuição da violência viária. Segundo Coutinho (2006), a
linguagem audiovisual é a que mais diretamente emerge da realidade e, portanto,
dela se origina.
O filme é feito
de tudo o que se oferece à visão e, igualmente, do que não será visto. Alguns
elementos serão apenas sugeridos e irão compor os vazios, os intervalos que, no
cinema, são tão significativos quanto o que as imagens e sons explicitam. É
nesse intervalo que os sentidos conversam: o sentido do filme que o diretor
quis expressar e o sentido acrescido de quem o vê. Assim, posso dizer também
que o filme é sempre uma obra aberta. Não se presta a uma única interpretação.
Pode ser visto e revisto de várias maneiras, tudo fica a depender do contexto,
da capacidade, do interesse, das expectativas de quem vê. (COUTINHO, 2006, p.
85-86).
Por ser uma obra aberta, no sentido exposto por Coutinho, o filme pode
provocar diferentes percepções no espectador. Uma campanha educativa que usa
como meio o audiovisual, por exemplo, possibilita uma série de interpretações e
de percepções no público alvo como: comoção e reflexão,
categorias que estão sendo investigadas neste estudo. Os vídeos podem provocar,
ainda, indignação ou indiferença no espectador.
Jesus (2010) traz
esclarecimentos sobre a etimologia de vídeo
e nos questiona sobre quem vê:
Na etimologia
“vídeo” é a primeira pessoa do indicativo do verbo latino videre, que significa “eu vejo”. Mas afinal, quem vê? O sujeito por
trás da câmera. Que mira o objeto e seleciona o recorte, ou quem vê a imagem na
tela? Mas e a câmera de vídeo vigilância? Quem olha para esse olhar? Qual é o
recorte? Quem mira? (JESUS, 2010, p. 241).
Quem
vê a imagem na tela pode interpretar o vídeo diferentemente de quem está por
trás da câmera. Depende do olhar estético,
definido por Duarte Jr. (2001, p. 102), como um olhar que “[...] não interroga, mas deixa fluir, deixa ocorrer o
encontro entre uma sensibilidade e as formas que lhe configuram emoções,
recordações e promessas de felicidade”.
A
experiência estética, segundo Braga (2010), vai além das emoções cotidianas.
Ele argumenta que:
Temos desejo e
tristeza, entusiasmo e medo, sensações de plenitude relacionadas a questões
pragmáticas ou cognitivas do cotidiano. A experiência estética, porém, seria
aquela que trabalhasse os efeitos para além de tais vinculações emocionais
imediatas. (BRAGA, 2010, p. 81-82).
Podemos
deduzir, então, que a experiência estética proporcionada pelo audiovisual está
sujeita ao momento que o espectador está vivendo, ou seja, um vídeo pode ser
interpretado de formas diferentes pela mesma pessoa, conforme seu estado
emocional no instante em que está assistindo-o. Neste sentido, e com base em
Pinto (2002 p. VI), cabe salientar que é importante alguns cuidados quanto ao
uso do audiovisual em campanhas educativas para o trânsito. O autor alerta-nos
que, por adotar um formato similar ao do
comercial publicitário, as campanhas educativas de trânsito são inseridas nos
intervalos da programação geral juntamente com outros anúncios comerciais.
Desta maneira, as mensagens que formam o conteúdo das campanhas educativas
encontram-se diluídas em meio a mensagens comerciais, noticiários, programas de
entretenimento. Assim sendo,
para possibilitar a sensibilidade do público alvo das campanhas educativas para
o trânsito, a fim de uma melhor absorção dos conteúdos, é importante considerar
o meio e o momento que estão sendo exibidas.
Sugiro ainda, que além da veiculação nos meios de
comunicação, estas campanhas venham acompanhadas de projeto educativo para ser
aplicado em palestras e em outras atividades nas escolas e nas universidades,
de maneira transversal. As campanhas podem estar inseridas dentro de um
contexto educativo, onde os receptores sejam provocados a refletir e a
interagir sobre as mensagens deixadas por elas.
REFERÊNCIAS
BRAGA, José Luiz. Experiência estética &
mediatização. In: MENDONÇA, Camargo; GUIMARÃES, Cesar (Orgs.). Entre o
sensível e o comunicacional. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
BRASIL. Código de Trânsito Brasileiro. 1997. Disponível em:
. Acesso em: 15 jan. 2013.
______.
Departamento Nacional de Trânsito / Ministério das Cidades. Parada: Pacto Nacional pela Redução de
Acidentes / Campanha Semana Nacional de Trânsito 2013b. Disponível em: <http://www.paradapelavida.com.br/campanhas/semananacionaltransito2013>. Acesso em:
10 Out. 2013.
______. Departamento Nacional de Trânsito /
Ministério das Cidades. Resolução 314.
2009. Disponível em: <http://www.denatran.gov.br/download/Resolucoes/RESOLUCAO_CONTRAN_314_09.pdf>. Acesso em:
31 mar. 2013.
COBRA, Marcos. O novo marketing. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
COUTINHO, Laura Maria. Audiovisuais: arte, técnica e
linguagem. Brasília: Universidade de Brasília, 2006.
DUARTE
JR., João Francisco. O sentido dos sentidos. Curitiba: Criar, 2001.
JESUS, Eduardo de. Eu vejo, eu mostro e nós
vemos. In: MENDONÇA, Camargo; GUIMARÃES, Cesar (Orgs.). Entre o sensível e o
comunicacional. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
PINTO, Paulo Fernando de Ascenção. Avaliação da compatibilidade entre a mídia
televisiva e as campanhas educativas para o trânsito. Dissertação de
Mestrado. Universidade de Brasília, 2002.
WOHLGEMUTH,
Júlio. Vídeo Educativo: Uma
pedagogia audiovisual. Brasília, DF: Senac, 2005.
Irene Rios
Mestra em Educação, com
a pesquisa: CAMPANHAS EDUCATIVAS PARA O TRÂNSITO: a percepção sensível de
jovens e adultos; Especialista em Ambiente, Gestão e Segurança de Trânsito e em
Metodologia de Ensino; Graduada em Letras Língua Portuguesa e Literaturas de
Língua Portuguesa; Consultora e co-autora do projeto “Gincana Cultural de
Trânsito”, vencedor do XII Prêmio Denatran de Educação no Trânsito - 2012 - na
categoria "Educação no Trânsito - Projetos e Programas"; Presidente
da Câmara Catarinense do Livro; Professora universitária de disciplinas na área
de Educação para o Trânsito; Autora de artigos e livros sobre Educação para o
Trânsito.
14 de jan. de 2015
“JE SUIS” A VIDA, NO TRÂNSITO BRASILEIRO
Dr. Dirceu Rodrigues Alves
As mortes e sequelados no nosso trânsito ainda não
sensibilizaram os 200 milhões de brasileiros.
Não vemos caminhadas, manifestações para interromper 152
mortes por dia num país acolhedor de todos os povos, mas não sabe como protegê-los.
Não nos sensibilizamos pelas guerras nas comunidades, com a
morte de bandidos, policiais e inocentes.
“JE SUIS LA VIE DANS LA CIRCULATION”
Os predadores estão soltos e invadem as cidades saídos de
casas, comunidades, trabalho, lazer e matam, alejam sem piedade, sem remorso,
apenas pagam uma fiança e saem pela porta da frente das delegacias em direção a
casa. As vítimas às vezes são direcionadas para os hospitais, mas a grande
maioria é velada e sepultada com sofrimento da família. Malditos assassinos que
dentro da coletividade são capazes de se transformarem com uso de bebidas
alcoólicas, drogas, com excesso de velocidade, celulares, digitando, enlouquecidos
pelos agentes estranhos à direção veicular. Atropelam, matam gerando o terror
no trânsito.
Quantos mais morrerão, somente com o sofrimento da família,
sem sensibilizar o povo que pleiteia através de movimentos, mudanças
governamentais, para conquista de terras, de tetos, de redução de tarifas.
Cai uma aeronave, morrem 189 pessoas, é notícia
internacional. Na realidade ocorreu um acidente de trânsito que tem repercussão
mundial. A sensibilidade é universal. Surgem movimentos sociais, o Ministério
da Aeronáutica faz a perícia, estudam todas as situações para emitir um laudo
que tem cunho de atuar na prevenção dos acidentes aeronáuticos. A segurança no
transporte aéreo é tão positiva que os acidentes são raros.
Movimentos sociais sensibilizam autoridades. Criam-se
memoriais em homenagem as vítimas do desastre aéreo. Caminhando pelas rodovias
encontramos verdadeiros cemitérios, múltiplos e precários memoriais a margem das
estradas caracterizados por cruzes colocadas por familiares.
É TRISTE, MUITO TRISTE, AS MORTES OCORRENDO AOS NOSSOS OLHOS
E PERMANECEMOS CEGOS E MUDOS PARA O GRAVE FATO.
Nada sensibiliza a todos como no caso do acidente aéreo. Não
ocorre revolta a ponto de se pressionar as autoridades, lideranças políticas,
buscando solução imediata para conter esses absurdos.
Perde o país grande parcela dos jovens a cada ano, reduzindo
de maneira drástica a produção e arrecadação do país.
Ao invés de estarmos alheios ao terror que ocorre no nosso
trânsito, deveríamos estar ajustando forças para erradicarmos a doença
epidêmica presente dia e noite em nossas vias.
A guerra urbana há décadas foi declarada e não vemos a
manifestação universal que estamos a assistir com o que ocorreu em Paris,
quando terroristas mataram dezessete pessoas.
Atentados ocorrem todos os dias na fúria do trânsito
brasileiro com desastres, brigas, arrastões, sequestros, roubos, assaltos,
mortes e por aí vai. O terror evolui de maneira clara, visível a todos que
parecem adaptar-se a situação sem ação combativa para conter essa epidemia.
Enquanto isso, o Ministério da Saúde constitui equipes para
o combate a larva do mosquito da Dengue. Vão de casa em casa, de caixa d’água
em caixa d’água e com isso a mortalidade é bastante reduzida. Este é o
procedimento que todos esperam que equipes sejam formadas para de esquina em
esquina onde o acidente é eminente, os órgãos governamentais atuem para
erradicação dessa doença epidêmica no nosso trânsito.
Dr. Dirceu
Rodrigues Alves Júnior
Diretor de
Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET - Associação Brasileira de Medicina de Tráfego - www.abramet.org.br - dirceurodrigues@abramet.org.br - dirceu.rodrigues5@terra.com.br
1 de jan. de 2015
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