20 de dez. de 2013

Crianças narram a difícil rotina sem a mãe

Semelhantes, a histórias de Miguel e Emily alertam para o risco da imprudência ao volante.

Para alertar motoristas para o drama das existências abreviadas pelos acidentes de trânsito, esta reportagem traz a história de duas crianças. Ambos aos sete anos, Miguel perdeu Alaíde, e Emily perdeu Cristiane. Dois anos se passaram, e os relatos sobre a dificuldade em lidar com a pior das notícias e a ausência do carinho da mãe estimulam uma reflexão sobre a importância da prudência ao volante.

Um saco de boxe pende na varanda da casa que Miguel Arcanjo divide com a avó em Gravataí. O menino de nove anos é filho de Alaíde da Silva Linck — bailarina morta aos 28 anos em um acidente de carro na entrada de 2012, na Estrada do Mar, no Litoral Norte. É o equipamento de pancadas que tem absorvido toda a raiva da criança. O objeto foi adquirido depois que Maria Regina da Silva, 59 anos, ouviu o neto chutando tudo no banheiro. Ao forçar a porta, ele despejou:

— Eu tenho muita raiva daqueles dois que mataram a minha mãe.
"Aqueles dois" seriam Tatieli Costa e Paulo Afonso Corrêa Júnior. A modelo e o suplente de vereador em Tramandaí à época foram apontados no inquérito policial como suspeitos de terem provocado a colisão. Dois anos se passaram, e, quando fala da saudade, Miguel ainda aperta os olhos enfatizando a dor da resposta. Fala na mãe o tempo todo. Ele e a avó transformaram um canto da casa em altar: tem fotos, as bijuterias que a bailarina usava no dia do acidente, alguns CDs que estavam no carro e a sapatilha de balé. 

Em vídeo, Miguel fala sobre a morte da mãe:

Alaíde dava aulas de dança, finalizava a faculdade de Educação Física e proporcionava pequenos luxos a Miguel, que criava sozinha. Com a morte dela, foram-se também o padrão de vida, os passatempos, as brincadeiras. O menino teve o plano de saúde de alto padrão cancelado, deixou de frequentar clubes e piscinas, não viaja mais para a praia, abandonou os parques e os passeios no shopping. Com a aposentadoria, Regina se esforça para manter o neto no colégio particular, a higiene e a alimentação em dia. Miguel passa os dias em frente ao computador com fones de ouvido e olhos vidrados na tela. Quando a mãe morreu, ele ainda se recuperava de uma cirurgia nos ouvidos. Como a família não tinha dinheiro para continuar o tratamento, a pediatra se dispôs a atendê-lo gratuitamente.
Nos aniversários do garoto, as amigas de Alaíde já conseguiram, com uma vaquinha, comprar tablet 3D e um Playstation. Mas pouca coisa o faz alargar o sorriso.
— É que eu sinto muuuuita saudade dela. É muito triste e complicado uma criança viver sem a mãe — responde, sentado na cama, mesclando maturidade e inocência, apoiando o queixo no dorso da mão.
Na casa da avó, que assumiu os cuidados, Miguel tem um quarto recheado de cartazes e brinquedos. Na cabeceira da cama, uma lembrança feita por ele depois que perdeu o sono noite dessas. Pegou papel, caneta, a última foto tirada da mãe e improvisou um quadrinho. Desenhou corações e um casal de mãos dadas — mãe e filho.
— Foi uma forma de expressar carinho. Teve também uma vez que eu tive a ideia de escolher uma estrela, a mais brilhante, e eu disse para a vó que aquela seria a mãe. Aí, quando a estrela aparece, vou ali na rua e grito: "Oi, mãããe! Estou aqui" — lembra a criança, que deixou de praticar esportes porque perdeu a maior torcedora.
Para reduzir a ansiedade, abraça a avó de olhos fechados e diz que fará de conta que é a mãe. Em uma madrugada recente, a avó ouviu barulho no quarto do neto. Ele sorria dormindo. Preferiu não acordá-lo. Ao despertar, ele contou que Alaíde estava ali, fazendo-lhe cócegas, e que havia mandado um recado para Regina, pedindo que parasse de chorar e se cuidasse.
— Imagina eu com ele no colo, escutando isso? É para mim que ele fala isso tudo. Agradeço a Deus por ele ser uma criança calma, mas noto que precisa de atendimento psicológico por causa do colégio — desabafa a aposentada.
Miguel, nove anos, constata: "É muito triste e complicado uma criança viver sem a mãe"
Foto: TADEU VILANI
Para fazer o dever de casa, só empurrado. Perdeu o gosto pelos estudos. Era a mãe quem o ajudava nos temas. Em seus devaneios, Miguel planeja de que forma poderia ter evitado o trauma.
— Ele pergunta para mim se não deveríamos ter amarrado a Alaíde naquele dia para ela não ter saído de casa — confidencia Regina.
Impressionado com o acidente, seis meses depois do ocorrido foi à igreja. Rezando baixinho, pediu a Deus que curasse os machucados da mamãe, porque só Ele conseguiria fazer isto. Miguel agora passou a ter preocupação de gente grande. Teme pelas atitudes dos motoristas no trânsito e dá um recado singelo.
— Acho que eles têm que colocar as barbas de molho. Isto quer dizer: tomar cuidado para ver o limite de velocidade. Quando estiverem numa estrada que tem três lados, ver se não vem um carro.
De resto, vive repetindo para si e para a avó a mesma frase que falou quando soube que a mãe havia ido embora:
— Agora eu sou só teu, né, vó?
A colisão
— O acidente teria sito provocado pelo Vectra que pertencia à família de Paulo Afonso Corrêa Júnior, suplente de vereador de Tramandaí à época, dirigido pela ex-modelo Tatieli Costa, que não tinha carteira de motorista e, segundo o inquérito, apresentava sinais de embriaguez.
— Ambos foram presos em flagrante e respondem ao processo em liberdade.
— A colisão, que ocorreu na Estrada do Mar, próximo ao acesso de Xangri-Lá, também vitimou o taxista Ivo Ferrazo, 63 anos, que conduzia um Corsa.
— No Prisma de Alaíde, também estava a amiga Carine Bueno Flores, que ficou 26 dias internada no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa.
— Até hoje, não houve julgamento do caso. Tatieli argumentou que o processo ainda tramita na Justiça e que não iria se manifestar. Paulo Afonso também informou, por intermédio da advogada Nilda Souza, que não se pronunciaria.
Emily Kamila tem nove anos e tem uma cicatriz que ocupa quase a lateral inteira da coxa esquerda. Os riscos na pele remetem a uma tragédia que promoveu um arrastão na casa dos Bieleski em 3 março de 2012. Naquele dia, sentada na cadeirinha no banco traseiro do Ka, a menina assistiu à morte da mãe e à retirada do pai das ferragens, após serem atingidos por um caminhão na BR-116, em Morro Reuter, no Vale do Sinos.
Emily ficou hospitalizada por 15 dias, passou por cirurgia e logo se recuperou. Ciente da morte da mãe, Cristiane Fassbinder, 25 anos, também ficou sem o pai Claudir, 33 anos, nos primeiros dois meses — tempo em que ficou internado. Levou mais seis meses até que pudesse retornar ao emprego, um ateliê de calçados em Dois Irmãos, onde moram. Os ferimentos dos dois os impediram de participar do enterro de Cristiane.
A criança, que já era calada, quase emudeceu. Transparece agora apenas nos detalhes o sofrimento pela ausência. Sobre os sentimentos mais íntimos, fala apenas com o pai. Queixa-se de saudade da mãe. Para chorar, esconde-se. Para tratar do trauma, a família encaminhou Emily a psicólogos. Recebeu alta depois de um mês. Disseram a eles que se calar também era uma forma de reagir.
Feridos no acidente que matou Cristiane, Emily e o pai vivem em Dois Irmãos
Foto: CHARLES DIAS

Da mãe, ela guarda sapatos, algumas roupas, fotos, um caderno de poesias escritas por ela e uma coleção de esmaltes dos quais não deixa ninguém chegar perto. Para amenizar a saudade, usa as camisolas de Cristiane para dormir e reza lendo a Bíblia. Pouco se fala sobre o assunto. No começo, imagens da falecida ainda emolduravam a estante. Agora, nem isso. É doloroso enxergar todos os dias. Vez ou outra, vão ao cemitério levar flores.
— É o pai que bota as flores lá — conta Emily.
Apesar de ter sempre contado com o auxílio da mãe nos estudos, na escola não teve problemas.
— Nos temas, eu ainda consigo me virar. Pior são os trabalhos — diz a menina.
Já pensa nas profissões que quer seguir. Está em dúvida entre Direito e Odontologia por um curioso motivo: quer ganhar muito dinheiro para comprar um carrão. Em busca de colo, engatou amizade com a vizinha Silvane Siiss, 32 anos, de quem não desgruda. Dentre as maiores dificuldades notadas pelos familiares, está a tomada de decisão. Emily passou a sempre escolher o que fazer e o que vestir com base na opinião dos outros.
Para ajudar a cuidar da casa de três cômodos, a menina auxilia em tarefas simples do lar impecável: lava a louça e varre o chão. Há cinco meses, Claudir iniciou um novo relacionamento. Vê a namorada aos finais de semana. Aos poucos, a mulher conquista a afeição da menina.
O baque também foi financeiro, já que não contam mais com a renda de Cristiane. Para ficar mais tempo com Emily, Claudir deixou de fazer horas extras. O carro acidentado não tinha seguro e teve perda total. Os custos do enterro beiraram os R$ 12 mil. Há três meses, Emily foi submetida a uma nova cirurgia para a retirada de uma placa no fêmur.
Tudo vem se ajeitando há um ano, quando deixaram a casa da mãe de Claudir e voltaram para a deles. A menina cursa o 3º ano do Ensino Fundamental à tarde e, pela manhã, pratica esportes e dança. Às 17h30min, o pai busca a filha no colégio. Cuidar da casa e de uma menina sozinho deixou Claudir bem atrapalhado.
— Que nem o dia em que me dei conta de que ela já tinha seio. Sugeri: "Filha, acho que já está na hora de usar sutiã" — recorda.
São muitas as perguntas desconcertantes.
— Uma vez, meu irmão tomou um trago, saiu de carro, sabendo que não pode, bateu, prenderam ele. Ela perguntou: "Como prenderam o meu tio, pai? O cara matou a minha mãe e não foi preso" — lembra Claudir.
O Dia das Mães está entre as maiores dificuldades. Em 2012, Emily pediu que a tia Gislaine Lenir Bieleski, 34 anos, fosse à escola representando Cristiane.
— Foi muito difícil. Chorei muito. Ela se manteve tranquila — relata a tia.
Neste ano, a tarefa escolar na data era comprar um livro e presentear a mãe:
— Tinha que comprar, né? Aí, eu comprei. Mas não dei para ninguém, guardei comigo.
O acidente
— Cristiane tinha folga apenas aos domingos. Naquele sábado, 3 de março de 2012, conseguiu dispensa e viajava com a família de Dois Irmãos para visitar parentes em Nova Petrópolis, terra natal dela.
— No km 216 da BR-116, em Morro Reuter, um caminhoneiro perdeu o controle do veículo e colidiu com o Ka vermelho da família, às 8h30min.
— O motorista Vanderli Ribeiro de Souza foi indiciado por homicídio culposo e lesões corporais. A família também entrou com um processo civil pedindo indenização. Segundo o advogado de Vanderli, Léo Elon Pias, ele não teve culpa. Pias argumenta que os freios não funcionaram, e o cliente tentou de todas as formas evitar a colisão.

19 de dez. de 2013

Ensinar valores para mudar os comportamentos no trânsito

A opinião da educadora de trânsito Irene Rios, a legislação em vigor, referências

Marina Lemle
Irene Rios
Autora do Guia Didático de Educação para o Trânsito e mestre em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí com a pesquisa “Campanhas educativas para o trânsito: a percepção sensível de jovens e adultos”, Irene acredita que a virtude dos valores positivos possa ser ensinada.
Nesta entrevista à Associação Por Vias Seguras, ela defende que o tema trânsito seja trabalhado nas escolas de maneira transversal e sugere formas de fazê-lo. Ela fornece também um vasto panorama dos textos legislativos em vigor e dos principais documentos de referência.

Você propõe uma educação para o trânsito baseada em valores. Que valores são estes?

Entre os valores necessários para a segurança no trânsito cito a responsabilidade -o condutor, o ciclista e o pedestre responsável são prudentes e conscientes de seus atos. Eles pensam nas consequências de suas atitudes e evitam cometer infrações.
Outro valor imprescindível para a fluidez e a segurança viária é o respeito ao outro. O trânsito é um espaço democrático, em que não há distinção de classe social, raça, idade, cultura. Todos têm os mesmos direitos e deveres, e todos também correm os mesmos riscos. Sendo assim, é importante que nas vias haja respeito entre os que compartilham este espaço.
O trânsito oferece desafios diários que precisamos suportar, como motoristas que fecham o veículo de trás, ou que param repentinamente, pedestres que atravessam fora da faixa de segurança, motoristas que não param na faixa de pedestre, obras na pista, desvio de trajeto, congestionamentos e outros. Por isso o domínio de si mesmo (autocontrole) e a paciência são imprescindíveis para manter o controle e a segurança.
Podemos citar ainda outros valores importantes para a melhoria o trânsito, como cooperação, solidariedade, honestidade e valorização da vida.A prática de valores positivos é uma virtude necessária para a promoção da fluidez e da segurança viária, uma virtude que pode ser aprendida por meio da educação.

Onde e como são adquiridos tais valores?

Eles são adquiridos desde a infância, inicialmente na família, por meio de orientações e principalmente pelo exemplo dos pais. A escola dará continuidade à construção de valores nos estudantes. Porém eles recebem influência também de outras fontes, como a mídia e os amigos.
A colaboração dos educadores à educação para o trânsito é imprescindível. Eles estão boa parte do tempo com as crianças e com os jovens e podem realizar um trabalho com continuidade. O trânsito pode ser trabalhado nas escolas, de maneira transversal, sem prejuízo do conteúdo curricular. O professor pode abordar o tema juntamente com os conteúdos das disciplinas. O professor de Língua Portuguesa, por exemplo, ao selecionar textos e atividades para sua aula, pode escolher aqueles relacionados à segurança viária e à prática de valores positivos. Na produção escrita, pode incentivar o aluno a produzir textos que contenham sua percepção sobre o trânsito de sua cidade.
Em Matemática, o professor pode educar para o trânsito quando for trabalhar com levantamento, análise e julgamento de estatísticas. Por exemplo, verificando a quantidade de veículos que transitam em sua rua ou a quantidade de alunos que usam a bicicleta como meio de locomoção. É possível também inserir situações vivenciadas no trânsito na elaboração de problemas matemáticos.
Pode-se trabalhar o trânsito ora em Língua Portuguesa, ora em Matemática ou em Geografia. Cabe ao educador verificar o melhor momento de introduzir a educação viária no conteúdo curricular.

O que se deve ensinar na escola e de que maneira? O que funciona e o que não funciona?

É recomendável que, antes da escolha dos conteúdos a serem ensinados aos estudantes, seja realizada uma investigação a fim de verificar a percepção que eles apresentam sobre os riscos no trânsito. Como regra geral, é importante instruir os estudantes a respeitar as leis de trânsito e a possuir atitudes que priorizem a segurança no trânsito. É essencial também construir junto aos estudantes valores positivos, como respeito ao próximo, autonomia, preservação da vida, entre outros, para que no futuro venham a ser condutores conscientes de seus direitos e deveres. A aprendizagem acontece a partir de uma motivação que desperte o interesse para um determinado tema. Sendo assim, a motivação deve ser trabalhada de acordo com a idade do público-alvo. Para obtermos sucesso nas ações educativas para o trânsito é necessário estarmos atentos aos tipos de conteúdos e abordagens que iremos direcionar a uma determinada faixa etária.O ideal é realizar uma pesquisa com os estudantes da região onde serão aplicadas as atividades educativas, a fim de verificar suas características e interesses e planejar as atividades conforme o resultado da pesquisa.

Como está a educação no trânsito no Brasil e como avançar?

Existem no Brasil importantes ações educativas para o trânsito sendo implementadas. Temos ótimos educadores de trânsito que, apesar de algumas dificuldades, persistem e conseguem realizar belos trabalhos.
As ações educativas para o trânsito, no entanto, acontecem muito menos do que é necessário. Há muita preocupação com quantidade, com a divulgação dos números de habitantes ou de alunos atingidos nas campanhas e programas educativos de trânsito. Será que essas pessoas “atingidas” estão educadas para o trânsito? Apenas quantidade não traz os resultados necessários. Precisamos de qualidade.
É comum observar em muitas cidades que a educação para o trânsito tende a ser priorizada no mês de setembro de cada ano devido a Semana Nacional de Trânsito.
O Denatran e alguns órgãos de trânsito têm veiculado na televisão e na internet, nos últimos anos, campanhas educativas no estilo audiovisual. Apesar das campanhas serem muito bem elaboradas, parece que não surtem o efeito desejado. Talvez o motivo da falta dos resultados almejados pelas campanhas de educação para o trânsito, como a prática de atitudes seguras nas vias e a diminuição da violência viária, não esteja relacionada aos conteúdos e aos estilos das campanhas, mas sim aos métodos de difusão das campanhas. Defendo, então, que as campanhas de educação para o trânsito sejam mais bem aproveitadas.
Sugiro que, além da veiculação nos meios de comunicação, estas campanhas venham acompanhadas de projeto educativo para ser aplicado em palestras e em outras atividades nas escolas e nas universidades, de maneira transversal. As campanhas podem estar inseridas dentro de um contexto educativo, onde os receptores sejam provocados a refletir e a interagir sobre as mensagens deixadas por elas.

A Educação no Trânsito é tratada na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Estatuto do Idoso, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e suas resoluções. Como você avalia essa presença nos documentos oficiais?

Podemos perceber, na legislação brasileira, referências à educação para o trânsito, direta ou indiretamente. Temos uma legislação pátria que prevê a educação para o trânsito em vários segmentos da sociedade. É preciso, portanto, fazer valer o exercício e a fiscalização dessas leis.
Por exemplo:
O art. 23 da Constituição da República Federativa do Brasil (BRASIL, 1988) versa sobre as competências comuns da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. No inciso XIIdeste artigo, consta como competências das referidas esferas de governos: “estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito”. Sendo assim, promover a educação para o trânsito é uma lei, e está na Constituição da República Federativa do Brasil.
Nos arts. 15, 16, 17 e 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) está destacado que a criança e o adolescente têm direito à vida, ao respeito, à dignidade, à saúde, a ir e vir e estar com segurança em locais públicos.
O Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003) prevê os direitos da pessoa idosa, como transporte público, saúde e proteção à vida.
A respeito dos conteúdos curriculares da educação básica, o art. 27, inciso I, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), esclarece que devem ser observados “a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática”.
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs (BRASIL, 1997) constam temas transversais que devem ser contextualizados, pelos professores, com os conteúdos curriculares. Os temas transversais são: Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde e Orientação Sexual. Os PCNs estabelecem também a eleição de um tema transversal local e sugerem o trânsito para esse tema.
No Código de Trânsito Brasileiro (BRASIL, 1997), foi dispensado o Capítulo VI (com seis artigos), exclusivos, ao tema Educação para o Trânsito. Neste capítulo destacam-se a criação da coordenação educacional, as campanhas educativas, a educação para o trânsito nas escolas, as campanhas sobre primeiros socorros, as mensagens e programas educativos.
Há ainda diversas resoluções que tratam do tema educação para o trânsito, como:
Res. n° 207/2006: Estabelece critérios de padronização para funcionamento das Escolas Públicas de Trânsito.
Res. n° 265/2007: “Dispõe sobre a formação teórico-técnica do processo de habilitação de condutores de veículos automotores elétricos como atividade extracurricular no ensino médio e define os procedimentos para implementação nas escolas interessadas”.
Res. nº 314/2009: “Estabelece procedimentos para a execução das campanhas educativas de trânsito a serem promovidas pelos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito”.
Cito ainda a Portaria n° 147/2009,que aprova as Diretrizes Nacionais da Educação para o Trânsito na Pré-Escola e no Ensino Fundamental.

Referências

BRASIL. Departamento Nacional de Trânsito. Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em:http://www.denatran.gov.br/ctb.htm
______. Departamento Nacional de Trânsito. Resoluções do Contran. Disponível em:http://www.denatran.gov.br/resolucoes.htm
_______. Departamento Nacional de Trânsito. Diretrizes Nacionais da Educação para o Trânsito na Pré-Escola. Disponível em:http://www.denatran.gov.br/download/Portarias/2009/PORTARIA_DENATRAN_147_09_ANEXO_I_DIRETRIZES_PRE_ESCOLA.pdf
_______. Departamento Nacional de Trânsito. Diretrizes Nacionais da Educação para o Trânsito no Ensino Fundamental. Disponível em:http://www.denatran.gov.br/download/Portarias/2009/PORTARIA_DENATRAN_147_09_ANEXO_II_DIRETRIZES_EF.pdf
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_13.07.2010/CON1988.shtm
________. Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm
________. Estatuto do idoso. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.741.htm
________. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997.

Fonte:

13 de dez. de 2013

JC Debate sobre a violência no trânsito

Governos FHC, Lula e Dilma: 600 mil mortos no trânsito


Mortos no trânsito
O Instituto Avante Brasil realizou um levantamento para comparar o número de mortes no trânsito em três governos: Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Roussef (só temos os dados de 2011). De acordo com o DATASUS, o número de mortes no trânsito vem crescendo vertiginosamente, desde a década de 80 (momento em que os dados relativos às mortes no trânsito começaram a ser contabilizados).
Entre 1980 e 2011 houve uma evolução de 117%. No total foram registradas 977.225 mortes, sendo que mais da metade delas (596.361), aconteceram entre 1995 e 2011, período de governo dos três presidentes analisados.
Fernando Henrique Cardoso: Entre 1995 e 2002, período do governo FHC, foram registradas 256.723 mortes no trânsito. No primeiro mandato ocorreram 134.541 mortes, apresentando uma queda de 9,4%, passando para 121.841 mortes. Houve queda também no taxa de mortes no trânsito por 100 mil habitantes, passando de 21,2 em 1995 para 18,8 em 2002, uma queda de 11%.
Luís Inácio Lula Da Silva: No ano de transição entre os governos Lula e FHC, primeiro ano de governo de Lula, houve um crescimento de 1,1% no número de mortes no trânsito. Ao final do governo, em 2010 contabilizou-se 296.723 mortes, sendo que 140.605 ocorreram no primeiro mandato e 156.118 no segundo, um aumento de 11% entre os mandatos.
Dilma Roussef: Foram contabilizados no primeiro ano de governo da presidente Dilma 43.256 mortes no trânsito, um crescimento de 0,9% em relação ao último ano de governo do Lula e uma taxa de mortes de 22,5 para cada 100 mil habitantes.
Como só há disponibilização dos dados para 2011, não é possível fazermos uma comparação de mandatos entre o governo Dilma e seus antecessores, contudo, se compararmos o primeiro ano de governo de cada um dos presidentes temos a seguinte condição:
FHC (1995) X Lula (2003): Aumento de 1,1%.
FHC (1995) X Dilma (2011): Aumento de 32%.
Lula (2002) X Dilma (2011): Aumento de 30%.
É importante salientar que em 19 de junho de 2008 foi aprovada a Lei 11.705, que modificou o Código de Trânsito Brasileiro. A chamada "lei seca" visou a proibir o consumo da quantidade de bebida alcoólica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro (ou 2 dg de álcool por litro de sangue) por condutores de veículos,  aplicando pena de multa, suspensão da carteira de habilitação por 12 meses e até a pena de detenção, dependendo da concentração de álcool por litro de sangue. Em 2012, essa lei sofreu uma alteração, com a finalidade de estabelecer alcoolemia zero e de impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool. A partir dela, a penalidade para condutores que apresentarem sinal de embriaguez ao volante é uma multa de R$ 1.915,30, recolhimento da habilitação, suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além da retenção do veículo, até a apresentação de condutor habilitado. Além disso, caso o motorista se negue a fazer o bafômetro, o agente de trânsito poderá aplicar uma autuação administrativa e preencher o questionário Sinais de Alteração da Capacidade Psicomotora, que será indexado à autuação. Neste caso, o condutor também poderá ser encaminhado à delegacia.
Comentários críticos do cientista Euroíndio Negro do Brasil (EiNB), um nativo humanoide da Lua de Pandora: os números cadavéricos acima mencionados comprovam que o Brasil, depois de 513 anos de construção inacabada, em muitos setores, se converteu na cloaca vitimologizante da América Latrina (fábrica de cadáveres antecipados), contando com um dos piores índices de qualidade de vida de todo o planeta. As mortes no trânsito fazem parte do selvagerismo (violência e retorno ao estado de natureza), que é um dos sete pecados capitais de toda região (são eles: teocratismo: Estado construído consoante teologias fundamentalistas, patriarcalismo: arquétipo do Pai: hierarquização, autoritarismo, opressão, repressão, desigualitarismo: sociedade marcada pelo apartheid fundado na injustiça socioeconômica, ignorantismo: analfabetismo, ignorância e exploração da ignorância, selvagerismo: violência, impunidade, guerras e estado de natureza, parasitismo: exploração do trabalho alheio pela neoescravidão e neoservidão, corrupção, malandragem e psicosismo: alienismo coletivo, populismo).
Não importa se o governo é do PSDB ou do PT: nossos problemas de raiz não são enfrentados com determinação. A providência divida cuida de tudo! Não existe no Brasil uma política séria de prevenção de acidentes e mortes no trânsito (tal como feita na Europa, por exemplo, que diminuiu as mortes no trânsito em 50% em dez anos). Prefere-se a política consumista imediatista e materialista de incentivo para a compra de carros e motos, que se transformaram em armas perigosíssimas nas mãos de quem não tem preparo educativo adequado (habilidades) para o seu manejo (pouco importando o nível cultural do condutor que, no volante, padece de psicose aguda), num país, ademais, de engenharia viária vergonhosa, com fiscalização precaríssima, estrutura de primeiros socorros que anda pedindo socorro e um sistema punitivo extremamente falho, moroso e administrativamente corrupto.
Tudo isso somado chega-se ao absurdo número de mais de 22 mortes no trânsito por ano para cada 100 habitantes (são mais de 120 mortes por dia, quase 6 por hora, uma cada 10 minutos!).  Brasil: um país carente de reconstrução!

Aliança de ONGs cobrará do governo compromissos para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito

Mobilização aconteceu durante Workshop promovido pelo Global Road Safety Partnership (GRSP) na sede da Opas em Brasília, em 2 e 3 de dezembro de 2013
Marina Lemle
A construção de uma aliança de organizações da sociedade civil para somar forças e cobrar do governo brasileiro os compromissos firmados para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2011-2020) foi o principal resultado prático do Workshop sobre Advocacy da Segurança Viária para ONGs, promovido pelo Global Road Safety Partnership (GRSP) na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), em Brasília, em 2 e 3 de dezembro de 2013. A Década foi instituída pela ONU com a meta global de reduzir pela metade a morbimortalidade no trânsito no mundo.
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Os 20 representantes das 16 ONGs que participaram do encontro receberam dos especialistas do GRSP, Raoul Powlowsky e Ryan Duly, um treinamento sobre como fazer advocacy, isto é, como se mobilizar para introduzir a questão na agenda política de todas as instâncias de governo, estimulando a tomada de decisões, a criação e implementação de leis e o desenvolvimento de planos e ações de curto, médio e longo prazos.
O efeito foi rápido: convencidos de que a sociedade precisa se mobilizar para pressionar o governo a dar prioridade ao problema, os representantes das ONGs decidiram criar a Aliança Brasileira de Organizações da Sociedade Civil pela Vida no Trânsito (Abrot). Uma Carta de Intenções foi redigida em conjunto e será divulgada em breve, após ter sido assinada pelas organizações. A Aliança está aberta a adesões.
Uma das principais preocupações explicitadas no encontro é o contingenciamento dos recursos de 5% da arrecadação do seguro obrigatório DPVAT e do Fundo de Segurança no Trânsito (Funset) que o Denatran recebe e que deveriam estar sendo aplicados em programas de educação no trânsito e ações de prevenção de acidentes e crimes de trânsito.
Outra demanda é o cumprimento das leis vigentes. Muitas leis não saem do papel ou “não pegam” porque não são devidamente divulgadas, promovidas, cobradas e fiscalizadas. Apesar de a legislação brasileira poder ser considerada boa se comparada à de outros países, os participantes manifestaram o desejo por leis e regulamentações mais rígidas, que possam ajudar a proteger a vida no trânsito.
É expectativa das ONGs, ainda, o apoio do governo às suas ações, mantendo-se a identidade de cada uma.
Passados dois anos e sete meses do início da Década, a impressão geral é de que muito pouco se avançou. O foco mais claro do governo foram as ações de marketing do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes (Parada), do Ministério das Cidades/Denatran, que não chegaram a convencer os militantes da causa sobre o real ensejo do governo no cumprimento das metas da Década.
Uma linha de ação governamental promissora, o Projeto Vida no Trânsito, do Ministério da Saúde, que teve experiências-piloto bem-sucedidas em cinco capitais em 2011 e 2012, foi estendido a todas as capitais no fim de 2012, com a divulgação de investimentos da ordem de R$ 12,8 milhões. O projeto, porém, não ganhou a mesma ênfase em 2013. Resultados ainda não foram divulgados e a sociedade não sabe o que de fato vem sendo feito nos municípios e como, e se há monitoramento e avaliação das ações.

Advocacy para mudar políticas

Participaram do workshop representantes das ONGs Cultura de Paz/A Barraca, do Tocantins; Fundação Thiago Gonzaga/Vida Urgente, do Rio Grande do Sul; Trânsito Amigo e Associação por Vias Seguras, do Rio de Janeiro; Instituto Paz no Trânsito, do Paraná; Aspamoto, do Pará; Apetrans, do Piauí; Rodas da Paz, Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito e Rua Viva, de Brasília; Instituto Trânsito Seguro, de Ipatinga/MG; Apatru, de São José do Rio Preto/SP; e Criança Segura, Ciclo Cidade, Observatório de Segurança Viária e Viva Vitão/Não Foi Acidente, de São Paulo.
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Em sua fala no primeiro dia do evento, Ryan Duly ressaltou a importância de se trabalhar com planos de advocacy e boas metodologias para mudar políticas. Ele destacou a eficácia da “advocacy baseada em evidências”, isto é, calcada em dados científicos, para convencer políticos, a mídia e parceiros potenciais.
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“É preciso mostrar que está cientificamente comprovado que a segurança viária pode reduzir mortes e lesões no trânsito e provar que os investimentos em prevenção de acidentes dão grandes retornos econômicos, sociais e na saúde”, disse. Duly (na foto, com o microfone) mencionou ainda a relevância da defesa do componente ético das medidas.
Raoul Powlowsky (à esquerda) explicou que a Década representa a consolidação de um esforço no qual as responsabilidades são integradas. Para tanto, é necessário definir quem deve se envolver e formular estratégias de ação para abordar os fatores de risco com os respectivos alvos.
Segundo o palestrante, evidências mostram que só educação e campanhas de marketing não são suficientes para mudar o quadro: é preciso ter boas leis e fiscalização.
Um exemplo é a velocidade: uma redução de 5% diminui em 30% a mortalidade em acidentes. “É preciso ter certeza de que os motoristas sabem dos limites de velocidade, ter câmeras de monitoramento e forte fiscalização policial”, afirmou.
Powlowsky esclareceu que a epidemia das mortes e lesões no trânsito é global e lembrou doscinco pilares de ação da Década - gestão da segurança do trânsito, infraestrutura e mobilidade, veículos mais seguros, usuários mais seguros e atendimento às vítimas.
“O Brasil não está sozinho nessa epidemia. Morrem por ano, no mundo, 1,24 milhões de pessoas e outras 50 milhões ficam feridas. São 3.400 mortes por dia, o que equivale a 11 jumbos cheios. É a oitava causa de morte no mundo e a primeira na faixa entre 15 e 29 anos. Os países pobres ou em desenvolvimento concentram 90% das mortes, apesar de terem 52% da frota”, disse. Ele acrescentou que o Brasil figura em terceiro lugar no ranking e atribuiu esse mau resultado em parte às boas estatísticas que o país teria, em comparação às de outros países.
Representante da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz questionou a afirmação de que o Brasil teria bons dados: “Os números oficiais do governo - 43 mil mortos – não representam a realidade, pois não batem com os da Seguradora Líder, administradora do DPVAT, que pagou 61 mil seguros.”
Luiz Otávio Maciel Miranda, consultor do GRSP, informou que a Política Nacional de Trânsito está sendo revisada sob a perspectiva da Década e deverá entrar em vigor em 2014. Ele mencionou um estudo feito em conjunto por três universidades brasileiras e coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, cujo resultado é uma proposta para a gestão do trânsito.
Victor Pavarino, consultor da Opas, ressaltou a necessidade da educação para o trânsito, que também teria o papel de emancipar a sociedade para que possa reivindicar ações do governo. “Se a questão do trânsito não for prioritária para a sociedade, não será para o governo”, afirmou.
Diza Gonzaga, da Fundação Thiago Gonzaga, discordou. Para ela, a questão já está na pauta da sociedade e é o governo se omite. “A sociedade ainda não tem muitos mecanismos, mas a segurança no trânsito é sim prioridade para ela. As chamadas 'Estrada do Inferno' e 'Curva de Morte' não são fatalidades, são falhas de engenharia. E campanhas pontuais em vésperas de feriado gastam muitos recursos e não surtem o efeito necessário”, criticou.
Fernando Diniz reforçou: “A forma hipócrita de abordagem do governo alimenta uma guerra que mata mais de 60 mil por ano.”
Ryan Duly ressaltou que o objetivo do workshop era justamente tentar entender por que a questão não é estratégica para os formuladores de políticas e buscar motivações para convencê-los a mudar de postura e introduzir a segurança no trânsito na agenda política. Segundo Duly, mostrar aos governos exemplos de outros países que adotaram políticas bem sucedidas pode ser uma boa estratégia. Para ele, outro problema a ser enfrentado é de accountability (prestação de contas). “Ninguém é responsável, ninguém cuida”, lamentou.
O estatístico David Duarte Lima, representante do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito e professor de Epidemiologia em Segurança no Trânsito da UnB, demonstrou grande preocupação com as verbas contingenciadas no Denatran. “São mais de R$ 3 bilhões de reais parados. Dinheiro para o trânsito tem, e parte do advocacy que devemos fazer é para colocá-lo nos municípios. Precisamos de estratégia e plano de ação para alocar esse dinheiro em favor da segurança no trânsito”, enfatizou.
Fernando Diniz arrematou: “A Seguradora Líder, com o Seguro DPVAT, encaminhou ao Denatran R$ 690 milhões em 2012. Precisamos cobrar das autoridades que este dinheiro seja revertido para prevenção e educação no trânsito. Queremos transparência para saber de que forma esse dinheiro foi gasto.”

Velocidade, problema unânime

Num exercício para desenvolver estratégias de advocacy, os participantes foram divididos em três grupos. Foi proposto que cada um escolhesse um tema como foco de atuação e fizesse um plano de ação. Todos os grupos escolheram velocidade.
Os participantes defenderam a criação de leis que reduzam a velocidade máxima em vias urbanas. Cada grupo pensou que gestores deveriam procurar e que argumentos usar com eles, de acordo com as motivações que os movem. Um grupo propôs ao prefeito fictício a redução da velocidade máxima para 50 km/h em avenidas e 30 km/h em ruas de bairros, como já ocorre em outros países. Outro preferiu propor uma lei nacional, e dirigiu seus esforços de advocacy ao Congresso.
O evento também teve espaço para reflexões filosóficas. Para Nilton Gurman, da ONG Viva Vitão/Não Foi Acidente, o problema vai além da velocidade: “Precisamos discutir a valorização do automóvel sobre o ser humano.” A observação teve ampla concordância, principalmente dos representantes de ONGs com enfoque em mobilidade urbana.
Ao fim do evento, o diretor da Agência Andi, Veet Vivarta, discutiu com os participantes o papel da mídia e como melhor aproveitar os meios de comunicação para promover a causa.
Este foi o segundo evento de advocacy para ONGs promovido pela GRSP e Opas. Ao fim doprimeiro encontro, realizado em agosto, os participantes decidiram pela criação de um grupo no Facebook (ONGs pela Paz o Trânsito). O grupo tem servido para manter todos em contato constante, promovendo a troca de informações e articulações com o objetivo comum de reduzir a violência no trânsito.

Fonte:
http://vias-seguras.com/a_prevencao/ongs_contra_a_violencia_no_transito/alianca_de_ongs_cobrara_compromissos_para_a_decada_de_seguranca_no_transito#.UqdG1GhmCqw.facebook - Acesso em 13/12/2013

6 de dez. de 2013

LEITURA E TRÂNSITO: educação para a vida

Projeto - 7ª Feira Catarinense do Livro


Apresentação
  
O conhecimento é responsável pelo nosso crescimento intelectual, espiritual, social, emocional e material. Na aquisição de conhecimento, a leitura tem um papel muito importante, tudo que faz parte da realidade social, está diretamente ligado a ela e desta depende para se manter e se desenvolver. A partir da interpretação da leitura, podemos fazer relações, argumentar, concluir, avaliar.

O hábito de ler vem sendo incentivado pela Câmara Catarinense do Livro, há vários anos, por meio de Feiras de Livros, que possibilitam ao leitor catarinense maior facilidade na aquisição de livros. Nestes eventos são oferecidas diversas obras com preços promocionais.

A Feira Catarinense do Livro, realizada anualmente no mês de maio, já está consagrada pelos catarinenses, que a cada ano vêm em maior número prestigiá-la.

A 7ª edição será realizada no período de 06 a 17 de maio de 2014. Nesta edição estamos esperando a visita de 200 mil pessoas, entre alunos, professores e público em geral, do Estado de Santa Catarina.

Este evento é a oportunidade de conceituadas empresas praticar ações institucionais, proporcionando aos catarinenses possibilidades de acesso ao livro e ampliação do conhecimento. É também uma ocasião importante para divulgação de produtos ou serviços. Sendo assim, temos a satisfação de convidar sua empresa para ser patrocinadora da 7ª Feira Catarinense do Livro. Para tanto apresentamos este Projeto Cultural de Patrocínio.

Justificativa

O ato de ler proporciona inúmeras vantagens ao leitor, entre elas: meios de continuar a educação e aperfeiçoar a cultura; fatos, regras, princípios e leis para pronta referência e estudo; experiências alheias de muitos povos, as quais seriam impossíveis de observar de maneira direta; exemplos de pensamento eficiente para a prática de muitas experiências; diversão, lazer e entretenimento.

O volume e a qualidade de leitura demonstram a competência social do indivíduo, refletem a maturidade individual. A deficiência de leitura pode afetar toda existência, todas as carreiras em qualquer profissão.

Visando aumentar o hábito de ler entre os catarinenses, a Câmara Catarinense do Livro vem promovendo diversos eventos, entre eles a Feira Catarinense do Livro, realizada tradicionalmente no mês de maio.

A cada ano aumenta o número de visitantes e o número de obras adquiridas nas feiras do livro realizadas pela Câmara Catarinense do Livro. Isso comprova que o catarinense gosta de ler.

No período de 6 a 17 de maio de 2014, realizaremos a 7ª Feira Catarinense do Livro. O leitor catarinense terá novamente possibilidades de se aproximar e de se apropriar do livro, numa festa com uma grande variedade de obras com descontos especiais, sessões de autógrafos de escritores locais e de renome nacional, eventos culturais, concursos literários, apresentações artísticas, palestras, contação de histórias.

Nesta edição da feira, o tema será o trânsito. A escolha deste tema é de extrema importância, pois a violência no trânsito representa, hoje, um grande problema social. Conforme dados da Seguradora Líder (2013), administradora do seguro DPVAT, no Brasil, em 2012, foram pagas 60.752 indenizações por morte no trânsito e 352.495 por invalidez permanente. Esses números significam 166 indenizações pagas por morte e 965 indenizações pagas por invalidez permanente ao dia. São dados que comprovam que estamos diante de uma epidemia grave.

Entendemos que as pessoas com mais conhecimento, adquirido por meio da leitura, são mais educadas e mais prudentes no trânsito. São pessoas mais éticas e responsáveis, que se preocupam com a sua segurança e com a segurança das outras pessoas que convivem no trânsito. Além disso, este evento proporcionará também a formação de multiplicadores em educação para o trânsito, ou seja, pais, professores e demais visitantes da feira, certamente irão transmitir às pessoas que convivem, os conteúdos vivenciados através das leituras e das atividades educativas e culturais oferecidas no evento.

Objetivos
  • Incentivar o hábito da leitura;
  • Ampliar a quantidade de leitores em Santa Catarina
  • Facilitar o acesso ao livro, oferecendo aos visitantes da feira um espaço seguro, aconchegante, com entrada franca, atrações culturais e grande variedade de obras literárias;
  • Possibilitar a aquisição de obras de qualidade com preços promocionais; 
  • Promover a leitura nas escolas, convidando professores e alunos para visitarem o evento; 
  • Oferecer transporte para visitação à Feira e vale-livros aos educadores e estudantes das escolas carentes. 
  • Divulgar as obras de autores catarinenses, através de espaço para divulgação, comercialização e sessões de autógrafos; 
  • Incentivar a segurança no trânsito. 
Atrações 
  • Lançamento de livros
  • Sessões de autógrafos
  • Bate-papo com escritores
  • Contações de histórias
  • Peças teatrais
  • Concurso Literário
  • Leituras Dramáticas
  • Palestras
  • Seminário
Todas as atividades terão como temas: a importância da leitura, os valores e a segurança no trânsito.

Além de escritores locais, estarão presentes seis escritores nacionais.

Projeto aprovado pela Lei Rouanet
Nr. Projeto: 137339
Mecanismo: Mecenato
Enquadramento: Artigo 18
Valor: R$ 605.840,00

Benefícios para a empresa patrocinadora:

1.  Inserção da marca da empresa em:
  • 60 chamadas para o evento na TV.
  • 02 portais (3x10m) nas entradas do evento.
  • 02 banners (80x1,20m), distribuídos no interior do evento.
  • 1000 cartazes
  • 2.500 livretos com a programação.
  • 1.500 livros do VII Concurso Literário da Câmara Catarinense do Livro.
2.  Reprodução de comercial da empresa, com duração de 30 segundos, no som local do evento, diariamente.
3.    Espaço de 24m2 na área da exposição.
4.    Indicação da cidade sede do evento.

Blog da edição anterior

Promoção e realização:
Câmara Catarinense do Livro

Comissão Organizadora

Irene Rios da Silva
Presidente da Câmara Catarinense do Livro

José Vilmar da Silva
Diretor Social

Colaboradores
Rosangela Cassia Leszkiewicz
Rosane Salete Strapasson
Deolindo da Cruz Alves
Ana da Cunha Pereira

“Estamos levando a comunidade a falar de trânsito”, diz Maria Cristina Hoffmann

Apesar das dificuldades, coordenadora do Denatran avalia que o órgão está cumprindo suas metas.

Assessoria de Imprensa Perkons
Mônica Santanna

Maria Cristina Alcântara Andrade Hoffmann é coordenadora de Qualificação do Fator Humano no Trânsito do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e do Parada – Pacto Nacional pela Redução de Acidentes. Em entrevista concedida à newsletter Perkons, ela fala sobre as ações previstas para 2014, aponta os avanços do Parada, avalia o trabalho realizado pelo Denatran e cita as dificuldades do departamento.

Coordenadora do Parada diz que Denatran está se estruturando.
Crédito: Márcia Kalume/Agência Senado
Nesta entrevista, Cristina posiciona-se favoravelmente à fiscalização eletrônica por entender que ela é essencial na regulação do comportamento do motorista, ainda que as pessoas a considerem invasiva em alguns momentos.  E garante que seu sonho é ver todas as escolas do Brasil implantando projetos de trânsito para que as crianças possam discutir e falar sobre o assunto, de modo que se vejam como futuros cidadãos e motoristas mais conscientes.

Perkons: Uma das principais ações de visibilidade do Denatran é o Parada. Como tem sido este trabalho?
Maria Cristina Hofmann – Dentro do Parada nós temos três momentos: ação de educação, com um forte viés em relação aos professores e instrutores, necessidade de mídia e mobilização social para as campanhas e de fiscalização, que não acontece especificamente pelo Denatran, mas pelos Detrans e órgãos gestores. Se com todo o nosso trabalho de envolvimento do governo federal, estadual e municipal não houver uma ação efetiva na ponta, a certeza de que o instrutor que capacitamos está trabalhando adequadamente e de que o motorista tem condutas adequadas no trânsito, eu não terei a certeza de que as mensagens repassadas estão sendo assimiladas. O trânsito só vai mudar se cada um mudar.

Perkons: Como o Denatran vai coordenar esta integração?
Maria Cristina - O Parada em si está se polarizando junto a todos os estados e parceiros. O que percebemos hoje é que a relação está muito próxima entre os três governos. Fazemos as campanhas, distribuímos aos estados e também aos Detrans, que tem sido parceiros, e eles nos repassam os resultados efetivos das ações desenvolvidas.  As blitze, inclusive, podem ser realizadas em conjunto. Estamos estruturando ações neste sentido. Devem acontecer ano que vem. Este ano fizemos um laboratório disso, Na Semana Nacional do Trânsito, no Dia Mundial sem Carro e no Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito. aconteceu um trabalho paralelo, com todos realizando a mesma blitz. Se não houver  um trabalho conjunto das três esferas não teremos uma alteração deste quadro caótico do trânsito. Precisa acontecer isso, esta proximidade dos órgãos municipais e estaduais junto ao Denatran e ao Ministério das Cidades.

Perkons: O Parada tem cumprido a sua função?
Maria Cristina - O Parada começou em maio de 2011, com foco nas mídias e campanhas. Elas eram esporádicas e em datas específicas. Agora temos campanhas todos os meses e também algumas ações específicas em parceria com as montadoras e participação em eventos como a São Paulo Fashion Week. O que percebemos com isso? Que estamos levando a comunidade a falar de trânsito. Quando se podia imaginar que marcas com o a Ellus e a Cavallera iriam criar modelo de camiseta específica do Parada e colocá-las na passarela?
Este resultado mostra que conseguimos uma penetração muito grande com o programa. Ele começou tímido, com uma ação simples para cumprir a meta da década da ONU (Organização das Nações Unidas) e nós estamos percebendo que ele está sendo maior. As empresas parceiras, hoje mais de 100, têm ajudado a multiplicar as ações do Parada, na medida em que o programa é disseminado junto aos colaboradores que, por sua vez, levam as informações para dentro de casa. A polaridade do Parada está sendo muito grande.

"Pensar em todos os modais, num transporte público de excelente qualidade, porque se não fizer isso vai ter que conviver com as vans e os mototáxis".
Maria Cristina Alcântara Andrade Hoffmann
Perkons: Quais são as ações planejadas para 2014 e para os próximos anos?
Maria Cristina - A ideia é que este planejamento seja abrangente e envolva todas as áreas. Tem a questão da parte de engenharia, que tem planejamento específico, em relação ao laboratório de crash test - projeto que está sendo desenvolvido junto às universidades e ao  Inmetro para que seja criado um laboratório  no Brasil, que hoje não existe. Tem as ações da educação para os condutores, instrutores e examinadores de trânsito. E em relação à  formação do agente de trânsito e à fiscalização.
Estamos editando uma resolução que definirá um curso para formar este profissional, especificando grade curricular e carga horária , que hoje variam de cidade para cidade. Assim, a padronização da fiscalização passa a existir. Temos também um manual de fiscalização. A ideia é que todos os municípios, até os pequenos, se estruturem adequadamente com a fiscalização. É uma fiscalização a favor da sociedade. É um órgão de trânsito estruturado, uma cidade bem sinalizada e um agente bem preparado. Para que ele possa educar, primeiro, e depois punir. Esta normativa será muito boa para as cidades pequenas que estão se estruturando para se integrar ao Sistema Nacional de Trânsito.

Perkons: Quando você estima que toda esta integração estará implantada?
Maria Cristina - É um trabalho que vem sendo desenvolvido há dois ou três anos pelo Denatran. O ministro Aguinaldo (ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro) tem dado apoio para as ações e isso reflete na melhoria do trabalho que a gente desenvolve. O Denatran ainda passa por dificuldades, principalmente operacional como a falta de funcionário. O Denatran sofre hoje muito com isso, mas dentro do que nós temos estamos cumprindo todas as metas.  Os nossos dados se baseiam nos da PRF e do Ministério da Saúde. Já tivemos uma redução de acidentes de quase 9%. Ainda falta muito para chegar à meta da ONU, que é de 50%, mas estamos no caminho. O Denatran está desenvolvendo junto com a Universidade Federal Fluminense o Observatório Nacional de Trânsito para que possa ter um controle estatístico e de dados. Estamos nos estruturando para que o Denatran seja o órgão máximo executivo de trânsito no Brasil.

Perkons: Como você avalia a fiscalização eletrônica dentro deste processo?
Maria Cristina - Sou completamente favorável, desde quando conheci a lombada eletrônica. O contingenciamento de agente de trânsito é muito pequeno e é impossível que ele esteja em todos os lugares. Neste aspecto, a fiscalização eletrônica é essencial na regulação do comportamento, ainda que as pessoas a considerem invasiva em alguns momentos. Sempre a vi como educativa. Os equipamentos de fiscalização eletrônica existem para lembrar que aquela via tem uma velocidade máxima permitida. Ainda não temos uma população que consegue entender esta necessidade. Então a fiscalização eletrônica regula o comportamento das pessoas que ainda não conseguem compreender e respeitar a legislação de trânsito.  Infelizmente, no Brasil não temos a cultura do respeito à sinalização de trânsito e os equipamentos de fiscalização eletrônica vem a contribuir para isso.

"Não defendo necessariamente trazer a tecnologia para dentro do carro como o uso do celular e o GPS porque acredito que contribuem para o aumento dos acidentes".
Maria Cristina Alcântara Andrade Hoffmann
Perkons: Existe algum modelo de trânsito que o Brasil poderia se inspirar?
Maria Cristina - Eu acho que a gente precisa parar de querer comparar o Brasil com outros países.  Temos que entender que o nosso país é único e dentro disso precisamos estruturá-lo para que possa atender às necessidades dos motoristas e pedestres, de acordo com a nossa realidade. Agora, o que poderia acontecer é que o gestor público, no momento que ele assuma uma prefeitura, entendesse que ele tem que criar uma cidade para a população. Ele tem que pensar a cidade para um período de 30 anos. Tem que entender que a cidade vai crescer e por isso tem que pensar de maneira estratégica por um período longo, sobretudo nas questões de mobilidade. Pensar em todos os modais, num transporte público de excelente qualidade, porque se não fizer isso vai ter que conviver com as vans e os mototáxis. A cidade com trânsito ideal é aquela que o gestor se preocupa com a população.

Perkons: Você é favorável que essas ações sejam associadas com tecnologia?
Maria Cristina - A tecnologia está presente hoje no nosso cotidiano, em todos os aspectos da vida. Não defendo necessariamente trazer a tecnologia para dentro do carro como o uso do celular e o GPS porque acredito que contribuem para o aumento dos acidentes. Mas conheci o centro de monitoramento do Detran do Rio, que controla os exames  práticos, e achei sensacional.  Nesse sentido a tecnologia é essencial, sobretudo para os profissionais que trabalham com trânsito.

Perkons: Qual o maior desafio para o próximo ano?
Maria Cristina - O maior desafio hoje na área de trânsito é que todas as escolas implantem projetos de educação de trânsito. Não como uma disciplina, mas que seja trabalhado transversalmente sobre o assunto. A grande preocupação da ONU hoje é ensinar uma criança a atravessar a rua. Se cada escola implementasse um projeto de educação, com qualidade, eu acredito que teríamos um trânsito melhor.  Discutir e falar de trânsito é o caminho para educar as crianças a se tornarem cidadãos e motoristas mais conscientes.

Fonte: http://www.perkons.com/pt/noticia/1464/estamos-levando-a-comunidade-a-falar-de-transito--diz-maria-cristina-hoffmann?__akacao=1720291&__akcnt=1bc33edb&__akvkey=4884&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=051213_news - Acesso em 06/12/2013